Dilma, Papa e outras autoridades lamentam morte do arcebispo emérito do Rio 

Brasília - A presidenta Dilma Rousseff lamentou hoje (10) a morte do arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal dom Eugenio de Araujo Sales. Em nota, Dilma exaltou a preocupação social que marcou a trajetória do religioso. Dom Eugenio Sales morreu na noite de ontem (9), vítima de um infarto, enquanto dormia em casa, no Rio de Janeiro.

“O cardeal dom Eugenio de Araujo Sales deixa seu nome inscrito na história da Igreja Católica pelo relevante papel que desempenhou em toda a sua vida. Em sua trajetória, a preocupação social sempre esteve associada ao trabalho eclesiástico, como bem sintetizam as campanhas da Fraternidade, uma de suas iniciativas que marcam a ação da Igreja em todo o Brasil”, diz a presidenta no texto.

Dilma expressa ainda a solidariedade ao povo do Rio de Janeiro e a todos os admiradores, familiares e amigos do cardeal.

Segundo a Arquidiocese do Rio, dom Eugenio Sales era o cardeal mais antigo da Igreja Católica, título que lhe foi concedido em 1969, pelo papa Paulo VI. O corpo do religioso será velado a partir do meio-dia na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no centro do Rio, e o sepultamento está previsto para amanhã (11).

Papa também lamentou a morte do "intrépido pastor" 

O papa Bento XVI lamentou a morte do cardeal brasileiro Dom Eugenio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro, que faleceu na noite de segunda-feira, aos 91 anos. "Quero manifestar meus pêsames aos bispos, seus auxiliares, ao clero, às comunidades religiosas e aos fiéis da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tiveram por três décadas um intrépido pastor", escreveu o papa em telegrama enviado ao arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

Ainda de acordo com a nota, Dom Eugenio "foi um autêntico testemunho do Evangelho em meio a seu povo. Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja pastor tão generoso. Em 70 anos de sacerdócio e 58 no episcopado, sempre quis indicar o caminho da verdade na caridade e servir à comunidade, prestando particular atenção aos mais desfavorecidos, fiel a seu lema episcopal 'impendam et superimpendar'", destaca o texto, em uma referência à Carta de São Paulo aos Coríntios.

Sarney também se manifesta

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), lamentou a morte do cardeal dom Eugenio de Araújo Sales, arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ele faleceu na noite desta segunda-feira aos 91 anos na capital fluminense.

Sarney disse que “o Brasil fica menor sem dom Eugenio Sales” e observou que o cardeal deixou um legado importante para a Igreja Católica.

- Perde o Brasil e a Igreja Católica uma de suas figuras mais eminentes, não só de nosso tempo, como de todos os tempos. Ele marcou a Igreja com sua missão apostólica e, ao mesmo tempo, a extensão que ele deu a essa missão no sentido da caridade, do respeito às pessoas, aos direitos humanos e, sobretudo, na evangelização – disse o presidente do Senado.

Sarney lembrou também que dom Eugenio Sales foi um dos responsáveis, junto com dom Hélder Câmara, pela criação da Feira da Providência e da Campanha da Fraternidade, chegou a ter seu nome cogitado entre os candidatos a papa, depois da morte de João Paulo I.

Marco Maia fala sobre morte do cardeal Dom Eugênio Sales

O presidente da Câmara, Marco Maia, disse, nesta terça-feira, estar consternado com a morte do arcebispo emérito do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales. "Era uma figura carismática e, ao mesmo tempo, muito humana e que dedicou boa parte da sua vida para defender os mais oprimidos do Brasil, do nosso País. Portanto, eu deixo aqui a minha palavra de solidariedade e também de convicção de que o exemplo que foi dado por Dom Eugênio seja seguido por outras lideranças da Igreja Católica e por outros cidadãos leigos no nosso Brasil."

O presidente Marco Maia observou ainda que Dom Eugênio sempre foi engajado nas lutas sociais e um articulador da defesa dos perseguidos políticos. O arcebispo se destacou pela proteção a refugiados políticos das ditaduras no Cone Sul. O cardeal denunciou a tortura de presos comuns, assim como se recusou a receber honrarias dos generais no poder, apesar de carregar durante anos a pecha de aliado do regime militar devido à sua posição conservadora na Igreja.

Governo e prefeitura do Rio decretam luto de três dias 

O governo do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias no estado, por causa da morte do arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Eugenio de Araujo Sales. 

Sérgio Cabral ressaltou, por meio de nota, o quanto Sales era amado pelo Rio de Janeiro. Eis a nota:

“Dom Eugenio Sales era amado pelo povo do Rio de Janeiro. Nas últimas décadas, a sua liderança religiosa foi a mais importante do nosso Estado. Vamos decretar três dias de luto”

O prefeito Eduardo Paes também decretou luto oficial de três dias na cidade do Rio. Paes lembrou o quanto Eugenio Sales zelou pela cidade. Eis a nota:

"Dom Eugenio Sales zelou por nossa cidade durante décadas. Grande homem de Deus, ele será sempre lembrado por sua sabedoria, a força de seus ensinamentos, a perspicácia com que comunicava e defendia sua fé e o exemplo de caridade nos anos mais difíceis da história brasileira. Que ele continue protegendo e abençoando o Rio e os cariocas."

OAB lamenta morte de Dom Eugenio

A Organização dos Advogados do Brasil (OAB) também divulgou nota, na qual destacou o papel importante de Dom Eugenio Sales ao oferecer abrigo a perseguidos políticos. Eis a nota:

OAB lamenta morte de cardeal dom Eugenio Sales

O presidente da OAB do Rio de Janeiro (OAB-RJH), Wadih Damous, lamentou hoje (10)  a morte do arcebispo emérito do Rio de Janeiro, cardeal dom Eugenio de Araujo Sales. “Uma característica importante da personalidade de dom Eugenio Sales foi a sua discrição. Tão discreto era, que só agora sabemos da sua atitude corajosa e decidida de oferecer abrigo a perseguidos políticos, inclusive de outros paises latino americanos, então sob ditaduras”.

Segundo Damous, além de ter sido uma figura importante nos meios eclesiásticos, dom Eugenio Sales teve uma atuação política nos bastidores que o projetou para a história do Brasil. “Provavelmente, ainda há episódios dessa atuação que ainda vieram à tona mas que certamente virão com o passar do tempo”. Certamente, disse Damous, o Brasil e o Rio de Janeiro perderam uma de suas figuras mais ilustres.

O religioso morreu na noite desta segunda-feira (9), vítima de um infarto enquanto dormia em sua casa. Dom Eugenio Sales era o cardeal mais antigo da Igreja Católica, título que lhe foi concedido em 1969, pelo papa Paulo VI.

Segundo a Arquidiocese, Sales morreu segunda-feira (9), aos 91 anos. Ele era o cardeal mais antigo da Igreja Católica. O cardeal potiguar, nascido na cidade de Acari em 11 de novembro de 1920, tornou-se arcebispo de Salvador em 1968 e comandou a Arquidiocese do Rio de Janeiro por 30 anos, de 1971 a 2001. 

Com Agência Brasil, Agência Senado e Agência Câmara