Uma semana após a ocupação social do Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul da cidade, a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS), em conjunto com a Força Nacional e demais órgãos governamentais e de segurança pública, apresentam os principais resultados da iniciativa pioneira, que faz parte do programa “Crack, é possível vencer”, do Governo Federal.
Desde a madrugada do último dia 18, quando agentes das polícias Militar e Civil tomaram a comunidade, preparando terreno para atuação da Força Nacional de Segurança, profissionais da SMAS trabalham para atender às principais demandas sociais de moradores do Morro Santo Amaro. Seja nos três contêineres instalados em pontos estratégicos da localidade, ou por meio da busca ativa a pessoas em situação de rua dependentes químicas. A SMAS já realizou até o momento 840 acolhimentos, sendo 789 adultos, 51 crianças e adolescentes.
"A evolução diária do quantitativo de acolhimentos revela que o número de usuários de drogas sofreu uma drástica diminuição na região", ressalta Rodrigo Bethlem, secretário de Assistência Social e coordenador do programa, no Rio de Janeiro.
Dentre os retirados das ruas, pelo menos seis pessoas ficaram detidas após identificação na 9ª DP (Catete). Nos primeiros dias de ocupação foram apreendidas 18 facas, 12 cachimbos e pequena quantidade de crack, cocaína e maconha. Além disso, uma cracolândia foi desmantelada no alto do morro, assim como uma estação clandestina de TV a cabo. Agentes de segurança encontraram ainda radiotransmissores e bombas caseiras no interior da comunidade.
De acordo com os números da Subsecretaria de Proteção Social Especial da SMAS, pouco mais de 11% dos adultos encaminhados à Unidade de Reinserção Social Rio Acolhedor, em Paciência, permanecem abrigados e oito adolescentes encontrados na região foram encaminhados para o abrigamento compulsório devido o alto grau de comprometimento com o crack.
Assistentes sociais, psicólogos, educadores e agentes comunitários de seis centros de assistência social do município já realizaram 711 atendimentos sociais a moradores da comunidade. Dentre as principais demandas estão a inserção em programas sociais como Bolsa Família e Cartão Família Carioca, além de orientações para questões jurídicas, fundiárias, para emissão de documentos, dentre outras.
"A comunidade está muito receptiva e aceitando bem a presença das forças de segurança. Os serviços da prefeitura vão chegar, cada vez mais, à região. Estamos preparando um cartilha educativa para orientar a todos sobre esse novo momento. Antes, os moradores do Santo Amaro viviam sob o império do tráfico. A partir de agora, vão conhecer e usufruir dos seus direitos", afirma Bethlem.
A Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, também, iniciou um mutirão de serviços na segunda-feira, 21. A operação prevê a reformulação de 150 pontos de luz nas ruas Benjamin Constant, Luis Onofre e Santo Amaro, aumentando a luminosidade das vias em até 40% e manutenção de outros 900 pontos de luz, substituindo as lâmpadas apagadas e as que permanecem acesas durante o dia. Para o trabalho, a equipe conta com 30 homens da Rioluz.
Já foi concluída a manutenção em 69 pontos de luz e reformulação de outros 51. Com relação à limpeza urbana, a equipe de 40 garis da Comlurb deu início à limpeza, roçada, remoção de escombros, entulhos e controle de roedores. Seis toneladas de lixo foram retiradas da encosta do Santo Amaro. A Coordenadoria Geral de Conservação concluiu os serviços de reposição asfáltica, pintura recuperação de calçamento em pedras portuguesas e na manutenção do sistema de drenagem, com a limpeza de 50 caixas de ralo.
A partir de próxima semana, as mulheres do Santo Amaro vão contar com mais um serviço. A Polícia Civil vai levar para a comunidade o ônibus da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, o DEAM Itinerante, que vai garantir às mulheres vítimas de violência doméstica e sexual mais uma oportunidade para que para denunciar os parceiros agressores.