PF faz operação contra lavagem de dinheiro e sonegação no Rio

Agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros e aos Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal (PF) cumpriram, na manhã desta quarta-feira, três mandados de busca e apreensão no Jockey Club do Brasil, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro, e na empresa Codere do Brasil Entretenimento Ltda, localizada nas dependências do clube e no Centro. O objetivo da ação, desencadeada após uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF), era recolher documentos que pudessem comprovar a suposta prática dos crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação, batizada de "Grande Prêmio", contou também com a participação de fiscais da Receita Federal.

A Codere é uma empresa espanhola que desenvolve a sua atividade em cinco áreas de negócio: terminais de jogo, bingos, cassinos, apostas desportivas e hipódromos. A companhia começou a sua atividade em 1980 na gestão de terminais de jogo. Hoje, a Codere faz a gestão de mais de 54 mil terminais em todo o mundo. Na década de 90, começou a investir em bingos, hipódromos e salas de apostas.

A assessoria do Jockey Club do Brasil informou que está colaborando com as investigações da Polícia Federal e já entregou a documentação exigida. Mais tarde, será emitido um comunicado sobre o caso.

O advogado da Codere, Paulo Freitas, disse que ficou surpreso com a operação da PF. Ele disse que a empresa teria entregue anteriormente toda a documentação necessária se tivesse sido solicitada. Ele acredita que a denúncia partiu de integrantes da oposição do Jockey Club, cujas eleições estão marcadas para o dia 31 de abril. Paulo explicou que a Codere tem contrato de prestação de serviços com o Jockey desde 2005.

"Fiquei surpreso com a operação, que considero desnecessária. Acredito que um questionamento da oposição gerou a ação da PF. A Codere tem uma relação formalizada que atende a todos os requisitos. Isso me surpreendeu. Somos auditados por empresas independentes e ressalto, mais uma vez, que a operação foi desnecessária. Já entrei com uma petição para segurar os documentos apreendidos", acrescentou.

"Infelizmente, vemos que disputas empresariais acabam sendo usadas para atender determinados interesses. É estranho que isso tenha surgido neste momento eleitoral no Jockey Club, a pouco tempo das eleições", disse o advogado.