Jockey Club aponta erros na operação da Polícia Federal e culpa briga eleitoral

Alvo da Operação Grande Prêmio, da Polícia Federal, o Jockey Club do Rio acordou nesta quarta-feira (11/04) em clima de tensão e tiroteio político. A menos de um mês das eleições para presidente da instituição, prevalece nos bastidores do clube que a oposição da atual administração teria influenciado, de alguma forma, a ação. O objetivo da operação policial era recolher documentos que pudessem comprovar uma suposta prática dos crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. 

A pedido do Ministério Público Federal, agentes da PF fizeram apreensões na sede do Jockey e em seu prédio no Centro, além do escritório da Codere, empresa espanhola responsável pela administração das apostas nas corridas de cavalos. 

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"O inquérito caminhava a passos normais. O Jockey Club Brasileiro apresentou voluntariamente toda a documentação referida e, estranhamente, às vésperas da eleição, acontece essa medida para buscar aquilo que nós já tínhamos fornecido", questiona Renato de Moraes, advogado do clube. "Uma ação de busca e apreensão é um recurso final. Não fomos sequer intimados a entregar esses documentos. É tudo muito estranho e, com certeza, tem influência política".

O pedido original do Ministério Público para que a Polícia Federal abrisse inquérito sobre o caso data de agosto de 2011, e foi elaborado após denúncias de membros da oposição. A principal acusação diz respeito a notas emitidas pela Codere contra o Jockey no valor de milhões de reais, mas que o próprio clube não reconhece. Como a movimentação financeira não existiu, o MPF entendeu que a Codere poderia usar o Jockey para lavar dinheiro.

"Nós não questionamos o trabalho da Codere, uma empresa muito respeitada. Questionamos apenas detalhes técnicos dos contratos, como de onde devem partir os pagamentos e coisas do gênero. Nós aprovamos o trabalho da empresa", ressalta Moraes. "Além disso, estamos apenas cumprindo um contrato feito na gestão anterior". 

Em nota, a Codere corroborou a defesa do Jockey e disse que não recebeu qualquer notificação para apresentar previamente documentação comprobatória de suas atividades. A empresa também informou que todas as notas emitidas contra o Jockey são frutos de serviços prestados ao clube e com os impostos devidamente debitados.

A reportagem do Jornal do Brasil procurou a Polícia Federal para comentar as declarações do advogado do Jockey, mas ninguém respondeu às ligações. O candidato de oposição à presidência do clube, Carlos Palermo, também foi procurado, mas não se manifestou sobre o caso.