Árvore lendária do município de Magé, na Baixada, corre risco 

Um dos mais conhecidos símbolos da cidade, a mirindiba que fica no alto do morro do Bonfim faz sombra para aqueles que vão ao local contemplar uma das paisagens mais belas de Magé. Só que durante esta semana foi constatado que a árvore centenária além de estar danificada, está ameaçada de morte.

A mirindiba é uma espécie nativa de terras brasileiras, caracterizada por folhas pequenas e permanentes que formam a copa que chega a medir, em média, seis metros de diâmetro a uma altura de 10 metros do solo. A árvore é conhecida cientificamente como lafoensia glyptocarpa, da família das Litráceas, que floresce em branco e rosa no período de julho a setembro. Uma curiosidade é que a polinização da planta é realizada por morcegos.

Técnicos do Meio Ambiente e da Secretaria de Serviços Públicos foram até o Morro do Bonfim e analisaram a situação. Para diagnosticar a causa da quebra de parte do caule foram coletadas amostras do solo, feitas medições e análise ambiental. De acordo com a equipe, no local foi observada a presença de cera de vela que pode ter causado a queima de parte da árvore, além da presença de lixo e vestígios de queimada. As amostras de solo foram encaminhadas para a EMATER para que sejam feitas análises. Com os resultados da avaliação técnica será feita a adubagem ao redor da árvore e a retirada de vegetais parasitas localizados na copa.

A comissão formada pelos biólogos Leandro Vidal, José Renato Ascar, Nelson Barroso, Roberta Carneiro, pelo técnico em meio ambiente Allan Carlos de Souza Aguiar, membros da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e pelo técnico agrícola Jadílson Diniz, da Secretaria de Serviços Públicos, declarou que apesar da Mirindiba ser uma árvore centenária, ela ainda preserva o seu meristema embrionário, é um tecido celular vegetal que pode ser comparado às células tronco do corpo humano, o que pode favorecer a formação de brotos.

A equipe também acionou a diretoria da Associação Mageense de Meio Ambiente (AMMA) que vai oferecer todo o apoio necessário para a resolução do problema ambiental. Após a realização da limpeza, retirada do caule morto e adubação da árvore, será feito um novo “curativo”, além de estudos realizados por membros da AMMA e da Secretaria de Meio Ambiente do município, com objetivo de prolongar o tempo de vida da árvore simbólica.

A lenda

Nascido e criado em Magé, o idoso Francisco Antonio de Oliveira, figura ilustre na cidade e mais conhecido como “Seu Chiquinho”, costuma visitar o local e apreciar a vista da cidade e da Serra dos Órgãos e ficou triste ao ver a situação da árvore. “Desde pequeno eu subia com os colegas para brincar e comer frutas aos pés da mirindiba, a gente ia até lá em cima”, lamentou Seu Chiquinho.

Para ele, mais que um símbolo histórico, a árvore “é um patrimônio da cidade e merece o carinho da população”. Além da representatividade, uma lenda da tribo Tupinambá, original da região, atribui à Mirindiba o poder de proteger o povo mageense. Segundo a história, o Pajé usou o encanto de seu maracá para transformar a índia Mirindiba numa árvore. A índia encantada fixou raízes no alto do morro do Bonfim sob os olhares de Coaraci (o Sol), Jaci (a Lua), e de Tupã (o deus do raio e da tempestade), e vive acompanhada de Anhangá (o espírito da floresta) e do Curupira (protetor dos seres vivos da floresta).

De lá a índia Mirindiba vigia e guarda a cidade de Magé, contra as injustiças e opressões.