"Não desejamos acabar com o Carnaval no Rio", diz sargento dos Bombeiros

Representantes grevistas afirmam que estão abertos a diálogos com o governo

Representantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Polícia Militar afirmaram, nesta sexta-feira (10), os avanços na proposta do Governo do Rio estão "longe de atender às necessidades" das categorias. Ainda assim, os grevistas anunciaram que estão abertos a diálogo com o governo e que manterão "uma proporção mínima necessária" dos serviços para garantir a segurança da população no estado.

"Temos pleno conhecimento e convicção do nosso compromisso com a sociedade, mas nesse momento, chegamos no limite", afirmou o sargento bombeiro Wallace Rodrigues. "De forma nenhuma desejamos acabar com o carnaval no estado do Rio de Janeiro. Para o Carnaval faltam oito dias e temos plena convicção de que conseguiremos resolver isso até lá. Estamos abertos à negociações e dispostos a fazê-las"

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Civis no Rio (Sindpol), Carlos Gadelha, mesmo com os reajustes salariais previstos pelo governo do estado até 2014, os salários ainda não são suficientes. "O policial militar da Bahia, que prega o aumento salarial de 40% já ganha o que o policial do Rio vai ganhar depois de todos esses aumentos previstos até 2014", afirmou. "Policiais militares e bombeiros têm o segundo pior salário do Brasil. Os civis tem o pior. Isso é inadmissível em um estado que tem a segunda maior arrecadação do país. Então falar que está fazendo um grande esforço pela segurança é um discurso meio antagônico".   

Após concederem entrevista coletiva, na manhã desta sexta-feira, os líderes do movimento grevista das polícias e bombeiros do Rio de Janeiro saíram em caminhada até o Quartel-General para se entregar voluntariamente. O cabo João Carlos Gurgel e Carlos Gadelha, lideraram o ato até o Quartel General da PM, na Rua Evaristo da Veiga, no Centro do Rio.  Eles foram acompanhados pelo policial civil Francisco Chao e pelo major Hélio de Oliveira, do sindicato de oficiais inativos da PM. Logo depois, Francisco Chao anunciou que só ficaram detidos no QG o cabo Gurgel e o major Hélio de Oliveira. 

"O diálogo [com o governo] foi aberto há um mês atrás e nossos companheiros já começaram a ser presos. Hoje de manhã já foi uma viatura na minha casa. Não tem problema: se me prender, vai surgir outro no meu lugar, porque a insatisfação é de 40 mil policiais militares, 22 mil policiais civis e 22 mil bombeiros", afirmou Gurgel momentos antes de seguir para o QG. "Se a sociedade decidir que nós temos que ser encarcerados e tratados como bandidos, como fizeram com o cabo Daciolo, assim vai ser. Agora se a sociedade entender que cadeia é para  marginal, e que nós somos trabalhadores e merecemos dignidade, a sociedade só tem a ganhar".

Em nota divulgada na madrugada desta sexta-feira, o comando da Polícia Militar negou que haja paralisação em qualquer tipo de serviço prestado à população no Rio e garantiu que todas as suas unidades estão em pleno funcionamento, contando com o apoio de policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Choque no patrulhamento da cidade. Os grevistas, no entanto, lamentam o comunicado.

Entre as reivindicações das categorias para acabar com a greve está a liberação do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso em Bangu I, por crimes de incitamento à greve e aliciamento a motim. 

Mandados de prisão

O porta-voz da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Frederico Caldas, tinha informado que já foram emitidos 11 mandados de prisão contra os líderes da greve da PM. Segundo ele, os responsáveis pelo movimento serão submetidos a conselhos de disciplina. "É inaceitável romper o juramento que fizemos à sociedade. O pacto entre a população e a PM não deve ser rompido", disse Caldas. De acordo com o comando grevista, 200 militares cumprem prisão administrativa no 10º BPM (Barra do Piraí), porque se recusaram a realizar patrulhas na manhã desta sexta-feira.