Comando da Polícia Militar do RJ garante normalidade no estado 

O Comando da Polícia Militar informou que todas as suas unidades estão em pleno funcionamento, contando inclusive com o apoio de policiais do Bope e do Batalhão de Choque no patrulhamento. Segundo nota divulgada pela corporação, não há paralisação de nenhum tipo de serviço para o cidadão. 

Ainda de acordo com a nota, "a Polícia Militar reitera seu compromisso com a segurança da população do Rio de Janeiro".

Na noite desta quinta-feira, PMs, policiais civis e bombeiros decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Entre os civis, lideranças do movimento grevista garantem que ao menos 30% dos profissionais trabalharão. Já os militares devem ficar aquartelados.

Entre as reivindicações dos grevistas está um piso salarial de R$ 3.500, carga horária de 40 horas semanais e aumento dos valores de benefícios. O governo do estado, no entanto, afirma não ter condições de atender às exigências. Nesta quinta-feira, uma proposta alternativa do Executivo fluminense foi aprovada, mas recusada pelos representantes do movimento grevista.

Os militares foram orientados a permanecer junto a suas famílias nos quartéis e não sair para nenhuma ocorrência, o que deve ficar a cargo do Exército e da Força Nacional, que já haviam definido, preventivamente a cessão de 14,3 mil homens para atuarem no Rio em caso de greve.

>> Delegacias só farão registros de casos considerados graves

O início da movimentação na Cinelândia se deu a partir do fim da tarde de quinta-feira, culminando na decretação da greve por volta das 23h. Milhares de policiais e seus familiares se concentraram em frente à Câmara de Vereadores do Rio. À paisana, todos os policiais presentes garantiam estar de folga. Além da questão salarial, bombeiros exigiam a liberdade do cabo Benevenuto Daciolo, preso após ser flagrado numa conversa telefônica na qual, supostamente, articulava uma greve de policiais em nível nacional. Do outro lado da rua, em frente ao prédio da Biblioteca Nacional, 23 PMs fardados, em sete viaturas, faziam o policiamento, aparentemente sem se envolver com a manifestação, que contou com um palco montado nas escadarias da Câmara.

"Estamos apenas garantindo que o trânsito possa fluir normalmente", disse o coronel Amaury, que comandava os policiais militares de serviço no local. "Estamos mais afastados da manifestação para não nos misturarmos aos  que protestam, e também para não configurar algum tipo de provocação".

Um dos líderes do movimento entre os policiais civis, o diretor jurídico do Sindipol, Francisco Chao, não se limitou a cobrar melhorias salariais, e fez críticas à atual estrutura da segurança pública no Rio de Janeiro. Para Chao, a greve poderá incentivar um debate sobre o tema:

"Tenho esperanças de que uma paralisação, além de melhorar nossos salários, vai provocar uma discussão ampla sobre a questão da segurança pública fluminense. No RIo, o governo ainda adota uma visão antiquada e ultrapassada, dos tempos de nossos avós".

O ato na porta da Câmara dos Vereadores durou seis horas e foi recheado de discursos contra o governo Sérgio Cabral (PMDB) e a Rede Globo. Jornalistas da emissora que trabalhavam na cobertura da assembleia geral foram hostilizados, e alguns preferiram deixar o palanque onde eram feitos os discursos. Enquanto emissoras como a Record e a Band mantinham links ao vivo no local, a Globo não colocou nenhum carro com satélite para fazer entradas ao vivo.