Dando continuidade ao Plano de Redução de Riscos de Inundação em Niterói, o laboratório Hidrouff adquiriu um medidor de chuvas, ou pluviômetro, que foi instalado, em dezembro, no telhado da Escola de Engenharia, transmitindo informações, de 15 em 15 minutos, sobre a chuva que já caiu. Os dados coletados até agora já podem ser consultados pela população em www.hidrouff.uff.br.
O novo medidor, totalmente automatizado, servirá para avaliação do impacto das chuvas com os seus riscos eventuais, tanto de enchentes quanto de instabilidade de encostas, com cobertura nos bairros do Ingá, São Domingos, Icaraí e Vital Brazil.
No caso de uma chuva uniforme, a medição poderá valer para uma área maior da cidade, mas uma das características das tempestades de verão é serem bem delimitadas, atingindo fortemente áreas pequenas.
Por essa razão, um medidor só não resolve a situação de Niterói, que precisaria de uns 20, afirma Elson Antonio do Nascimento, coordenador do laboratório, ligado ao Departamento de Engenharia Civil da UFF.
Do ponto de vista da universidade e do desenvolvimento de estudos e pesquisas, este primeiro medidor será de grande importância, pois na sua região de cobertura estão situados os morros do Estado, do Cavalão e do Palácio e a região do Museu de Arte Contemporânea, inclusive para avaliação das obras, pois deslizamentos não ocorrem apenas em bairros pobres.
A proposta é que a iniciativa privada participe do projeto. Muitas empresas que estão em locais estratégicos poderiam instalar medidores em seus edifícios, enviando informações para uma central, que poderia ser num escritório da prefeitura, para tratar especificamente do tratamento dos dados e da coordenação do plano.
Este é um trabalho que não se faz só num verão, afirma Elson Nascimento, mas a medição constante da chuva e dos seus impactos favorece a redução de custos que na emergência atingem valores muito altos, mas que fora disso podem ser feitos a preços mais reduzidos.
Sistemas de alerta não são simples
Só a medição de chuvas não basta, afirma o coordenador do laboratório. Ele é um item de todo o processo, que deve incluir a defesa civil e diversos órgãos da prefeitura, que precisam estar preparados para tomar as decisões, e a população, que deve estar orientada. O gargalo, nessas situações, diz Elson Nascimento, não é o custo, mas a sua complexidade.
É o mesmo sistema de alerta para vulcão, avalanche de neve, terremoto, furacão, tornado, entre outros. "Todos esses fenômenos podem ocorrer em qualquer lugar, mas a cidade estando preparada, com a população informada, consegue se defender", garante Nascimento.