Moradores do Alemão comemoram paz na virada: 'agora podemos celebrar tranquilos'

Os moradores do Morro do Adeus, no Complexo do Alemão, tiveram um réveillon diferente neste ano. Se em 2010, apenas um mês após a pacificação da região, o clima ainda era de incerteza, desta vez foi possível festejar sem as preocupações que marcaram o cotidiano da comunidade durante muitos anos.

É o caso da família Silva, que reuniu amigos e parentes para comemorar a chegada de 2012 no terraço da casa, que fica no alto do Morro do Adeus, local conhecido anteriormente como uma das bases da facção criminosa que dominava os complexos do Alemão e da Penha. 

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Com uma vista privilegiada, o grupo admirou a paisagem de boa parte da região da Leopoldina e esperava pela queima de fogos na comunidade, que prometia rivalizar com a celebração da Igreja de Nossa Senhora da Penha, mais tradicional da região.

"Não dava para ficar aqui, aproveitando essa vista, sem correr risco", explica Constantino da Silva, dono da casa. Segundo ele, sob o domínio dos criminosos os fogos muitas vezes eram substituídos por balas trassantes, amedrontando os moradores da região.

"Antigamente sempre havia o risco da polícia entrar em uma hora dessas e começar uma troca de tiros. Além disso, não tinha como evitarmos que bandidos invadissem nossa festa para aproveitar ou se esconder. A gente também não podia subir com o carro até aqui, então dificultava para as visitas. Até material de construção tínhamos que trazer nas costas. Agora está 100% melhor", relata.

A festa era regada à comida típica das ceias de fim de ano, como peru, pernil, rabanadas e salpicão, e por um bem cuidado churrasco. Bebida - alcoólica ou não - também não faltava. Segundo a anfitriã, Claudia da Silva, o trabalho vale a pena:

"Comecei a fazer tudo de manhã cedinho. Dá trabalho, né? Mas vale à pena. Agora que podemos festejar em paz, ano que vem isso aqui vai lotar", comemora, lembrando que muitas pessoas ainda preferem ir até a praia de Copacabana.

Teleférico também ajudou

Julio Cesar, um dos convidados da festa, era só elogios para a nova realidade do Morro do Adeus. Morador de Bangu, ele comentou a tranquilidade na qual o local estava inserido após a pacificação:

"Eu venho aqui já há muitos anos, porque a minha mulher morava no Alemão. Melhorou muito neste último ano, agora a gente se sente bem aqui. Eu me sinto mais seguro do que onde moro", comentou.

O visitante aproveitou a reunião de ano novo para andar pela primeira vez no teleférico. Segundo ele, a sensação é boa:

"Não dá medo de altura, não. Eu gostei muito, estava acostumado a subir isso aqui tudo a pé. Agora a gente pode pegar o transporte lá embaixo e descer aqui na porta". 

Festa vazia

Nem tudo deu certo na celebração do Morro do Adeus. Uma festa organizada no alto da comunidade não empolgou a população local, que preferiu ficar em casa se abrigando da chuva fina que caiu durante toda a noite, ou procurar outros pontos mais tradicionais de comemoração, como as festas em Copacabana e na Penha.

Por conta disso, pouco mais de uma dezena de curiosos acompanhou o show da banda Balacobaco que, mesmo com a plateia reduzida, se esforçava para animar o local.