MP-RJ denuncia bando que seria comandado por filha de bicheiro 

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma quadrilha especializada em homicídios que teria como líder a filha do bicheiro Waldomir Paes Garcia, o Maninho, morto em 2004. Além da chefe do bando, Shanna Harrouche Garcia, o grupo seria composto por um policial civil, quatro policiais militares e outras duas pessoas. 

Desde o início da manhã desta terça-feira, 95 agentes cumprem oito mandados de prisão e 11 de busca e apreensão na capital fluminense.

O MP afirma que até o momento, três mandados de prisão foram cumpridos, sem dizer o nome dos presos. Além disso, foram apreendidas joias, mais de R$ 30 mil em dinheiro, armas e três carros. O grupo é acusado de formação de quadrilha armada e tentativas de homicídio qualificado. 

A denúncia aponta Shanna como líder da organização criminosa que mantém a exploração ilícita do jogo de caça-níqueis, função exercida após a morte do pai e do marido José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal.

Batizada de Operação Tempestade no Deserto, a ação é um trabalho conjunto da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Ssinte), Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco-Ie) e o Gaeco do MP.

De acordo com a denúncia, o policial civil Carlos Daniel Ferreira Dias, os policiais militares Adriano Magalhães da Nóbrega, João André Ferreira Martins e Marcelo Alves da Silva, junto com Luís Carlos Felipe Martins, tentaram matar um homem chamado Rogério Mesquita e outras três pessoas na madrugada do dia 10 de maio de 2008, por ordem de Shanna.

O crime teria sido praticado pela disputa do espólio criminoso do bicheiro Maninho, no qual Rogério Mesquita estaria relacionado por ter sido considerado amigo íntimo do contraventor. Na ocasião, as vítimas conseguiram fugir, apesar de um dos carros que as transportavam ter sido atingido por 37 tiros. Outro denunciado, Jorge Antônio dos Santos, também teria envolvimento na tentativa de homicídio por ter acompanhado os demais até o local da emboscada.

O outro policial militar denunciado é Pedro Paulo dos Santos Fernandes, o Pedro Fu. Ele integraria a quadrilha com os demais denunciados e teria a função de fazer a segurança de Shanna. Ele também seria responsável por saldar as despesas de manutenção da Fazenda Haras Modelo, de propriedade da filha de Maninho, local onde eram armazenadas as armas da quadrilha. Já Adriano Magalhães da Nóbrega, capitão da PM, exercia a função de chefe da segurança da líder. Adriano e João André são ex-oficiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a denúncia, os policiais utilizam seu armamento pessoal e armas de origem clandestina nas atividades criminosas exercidas pela quadrilha.

Carlos Daniel Dias, que era lotado na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Saúde Pública, foi preso em novembro deste ano, às vésperas da ocupação da favela da Rocinha, escoltando os traficantes conhecidos como Coelho e Peixe, braços-direitos do traficante Nem. Rogério Mesquita acabou sendo assassinado em janeiro de 2009, em Ipanema, oito meses depois do atentado supostamente planejado por Shanna.