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Disque-Denúncia paga R$ 2 mil por suspeitos de matar modelo

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O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro divulgou nesta quinta-feira um cartaz de suspeitos ainda soltos pelo desaparecimento e possível assassinato da modelo Luana Rodrigues de Sousa, 20 anos, e sua amiga Vanessa de Oliveira, 25 anos. As duas foram vistas pela última vez em 9 de maio, em frente a uma concessionária de veículos, próximo à favela da Rocinha.

No cartaz divulgado junto com o nome de cada acusado, está a recompensa oferecida por pistas que levem ao paradeiro dos homens. Nem, Anderson Rosa Mendonça (Coelho) e Ronaldo Patrício da Silva estão presos. Estão foragidos Thiago de Sousa Cherú, o Dorey; e Rodrigo Belo Ferreira, o Rodrigão. Todos tiveram a prisão decretada pela 3ª Vara Criminal da capital. Anteriormente, o Disque-Denúncia pagava R$ 1 mil, mas a recompensa aumentou para R$ 2 mil.

Quem tiver informações poderá entrar em contato pelo telefone (21) 2253-1177. O anonimato é garantido. Todas as informações sobre os suspeitos estão no site www.procurados.org.br

Tribunal do tráfico

As duas jovens saíram de casa no dia 9 de maio em direção à favela da Rocinha e nunca mais voltaram. Segundo o delegado da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, Felipe Ettore, o sumiço de uma carga de haxixe no valor de R$ 30 mil teria motivado o desaparecimento de Luana e da amiga.

As investigações da polícia apontaram que Luana era usada no transporte de drogas da Rocinha para outras comunidades do Rio. Ainda de acordo com a corporação, ambas foram julgadas e condenadas à morte pelo chamado "tribunal do tráfico", chefiado por Nem.

A prisão de Nem e a tomada da Rocinha

O chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar no início da madrugada de 10 de novembro. Um dos líderes mais importantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele estava escondido no porta-malas de um carro parado em uma blitz por estar com a suspensão baixa, em uma das saídas da maior favela da América Latina -, que havia sido cercada por policiais na noite do dia 8 de novembro.

Desde o dia anterior a polícia investigava denúncias de um possível plano para retirar o traficante da Rocinha. Além de Nem, três homens estavam no carro. Um se identificou como cônsul do Congo, o outro como funcionário do cônsul, e um terceiro como advogado - a embaixada da República do Congo, entretanto, informou não ter consulados no Rio. Os PMs pediram para revistar o carro, mas o trio se negou, alegando imunidade diplomática. Os agentes decidiram, então, escoltar o veículo até a sede da Polícia Federal. No caminho, porém, os ocupantes pediram para parar o carro e ofereceram R$ 1 milhão para serem liberados. Neste momento, os PMs abriram o porta-malas e encontraram Nem, que se escondia com R$ 59,9 mil e 50,5 mil euros em dinheiro.

Nem estava no comando do tráfico da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado, junto de João Rafael da Silva, o Joca, desde outubro de 2005, quando substituiu o traficante Bem-te-vi, que foi morto. Com 35 anos, dez de crime e cinco como o chefe das bocas de fumo mais rentáveis da cidade, ele tinha nove mandados de prisão por tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro. Nem possuía um arsenal de pelo menos 150 fuzis, adquiridos por meio da venda de maconha, cocaína e ecstasy, sendo a última a única droga consumida por ele. Com isso, movimentaria cerca de R$ 3 milhões por mês, graças à existência de refinarias de cocaína dentro da favela.

O fim do domínio de Nem na Rocinha foi o último obstáculo à entrada das forças de segurança na favela para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Na madrugada do dia 13 de novembro, agentes das polícias Civil, Militar e Federal, além de homens das Forças Armadas, iniciaram a ocupação do local escoltados por um forte aparato. No entanto, os traficantes já haviam deixado a comunidade, e a operação foi concluída sem qualquer confronto.