Na Rocinha, Beltrame afirma: "É preciso recuperar o tempo perdido"

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, caminhou hoje pela manhã pela Favela da Rocinha, três dias após a Operação Choque de Paz. Ele foi cumprimentado pelos moradores e destacou que, agora,  é preciso recuperar o tempo perdido.

"A linguagem é uma só, a linguagem da presença da polícia. Fico feliz de ver a quantidade de obras se iniciando, espero que isso se perenize também. Tem que trabalhar, fazer mais coisas, recuperar um tempo perdido. E vamos em frente", afirmou o secretário.

Beltrame falou sobre o fato de uma moradora ter comentado que não precisa mais dar a volta na favela e usou, nesta quarta-feira,o trajeto por dentro da Rocinha para sair na Gávea, também Zona Sul.

"É assim que se constrói. São pequenas medidas, mas que se repitam no tempo e se crie uma cultura efetivamente diferente". 

O secretário voltou a destacar a importância das ações sociais em comunidades pacificadas. "O que vai fazer com que essas pessoas vivam melhor e sintam-se valorizadas são as ações sociais. O que a polícia está fazendo aqui é se manter para que isso aconteça", disse.

Beltrame percorreu a Rocinha acompanhado acompanhado do comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel René Alonso.

Durante a caminhada, policiais civis apreenderam 200 máquinas de cigarro a varejo na Rua 1, no alto da Gávea.

Ocupação

A ocupação da Favela da Rocinha começou no fim de semana e transcorreu sem maiores conflitos. Na manhã de domingo, Beltrame afirmou que o trunfo da polícia foi ter conseguido devolver o local à comunidade, depois de 30 anos na mão de criminosos, "sem derramar uma gota de sangue, sem dar um tiro". 

Para ele, o paradigma de violência que o Rio de Janeiro sempre viveu vem sendo quebrado com o trabalho conjunto dos governos estaduais, federais e municipais.

Segundo a Secretaria de Segurança do Rio, até a tarde de terça-feira, as polícias Civil e Militar haviam apreendido 73 fuzis nas comunidades da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu. No total, foram 129 armas de fogo - incluindo, além dos fuzis, carabinas, espingardas, lança-rojões, metralhadoras, pistolas, e submetralhadoras - encontradas desde a ocupação, que começou na madrugada de domingo.

Os policiais apreenderam ainda 147 explosivos (de bombas caseiras a granadas), 23.072 balas e oito miras telescópicas para fuzil. Entre as drogas, foram encontrados 166 kg de cocaína, 60 de pasta base de cocaína, 127 kg de maconha, 135 pedras de crack, 38 comprimidos de ecstasy e material de refino e endolação.