Ações com um mês de antecedência garantiram êxito da ocupação da Rocinha

Quase 80% dos leitores do 'JB' classificaram a ação de pacificação como boa ou ótima

A ação que libertou mais de 150 mil moradores dos desmandos de pelo menos 200 traficantes de drogas das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu (Zona Sul do Rio) teve um diferencial das 18 ocupações anteriores, segundo especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil. Além do planejamento inerente às ações desta dimensão, operações feitas um mês antes em favelas da mesma facção criminosa da que comandava a Rocinha impediram a fuga do chefão da quadrilha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem. 

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A prisão de Nem pode ser considerada um marco para a polícia do Rio, já que esta é a primeira vez que um líder do tráfico de drogas foi detido durante uma ação de pacificação. Nas ocupações anteriores, os líderes do tráfico de drogas fugiam antes da chegada da polícia.

Presente em todas as ações de ocupações de comunidades cariocas desde 2008 - quando os traficantes do morro Santa Marta tiveram que ceder o território à polícia - , o tenente coronel René Alonso, atual comandante do Batalhão de Operações Especiais, destaca o preparo da ação.

"A operação que culminou com a pacificação da Rocinha começou um mês antes da entrada da polícia na favela. Em comunidades de Macaé, no Noroeste Fluminense, dominadas pela facção do Nem, apreendemos anotações importantes para as investigações e também identificamos possíveis rotas de fuga dos traficantes da Rocinha. Assim, com as rotas mapeadas, a fuga dos bandidos foi dificultada", contou. 

De acordo com o tenente, a antecedência e a articulação entre diversas ações foram o diferencial desta pacificação. "O sucesso da operação na Rocinha veio em grande parte das ações pré-ocupação". 

Coronel da Força Nacional de Segurança Pública, o ex-comandante Luiz Antônio Ferreira acredita que o sucesso da ocupação da Rocinha revela o aperfeiçoamento do processo de pacificação realizado pelo secretário José Mariano Beltrame.

"A tendência é de que as últimas ocupações sejam cada vez menos traumáticas do que as primeiras. O fato de nenhum tiro ter sido disparado e de não haver feridos é um grande ganho para o povo carioca. O principal objetivo da Secretaria de Segurança foi alcançado: trata-se da reconquista do território", ressaltou o policial, parafraseando o secretário de Segurança do Rio.

Para o subcoordenador de segurança humana do Viva Rio, Sandro Costa, a ação cirúrgica da polícia carioca evitou um banho de sangue:

"A integração de diversos órgãos e a inteligência e apuração da polícia foram fundamentais para o saldo positivo da operação. O fato de não haver ninguém ferido já contempla a Secretaria de Segurança. Mas é importante chamar a atenção para as prisões do Nem, seu segurança e outros comparsas de mesma quadrilha". 

Leitores do 'JB' elogiam ação da polícia

A entrada da polícia nas favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu sem o disparo de um tiro levou os leitores do Jornal do Brasil a parabenizarem a atuação das forças de segurança pública responsáveis pela ação - polícias civil, militar e federal, além da Polícia Rodoviária Federal e Marinha. Em uma enquete na página do 'JB', 54% dos leitores classificaram a operação como ótima. Outros 25% consideraram a ação "boa".

Para o carioca Almir Moraes, a entrada da polícia abre o caminho para a chegada de benefícios para a população local. "Excelente trabalho realizado pelos policiais e todos que participaram da operação. Espero que as autoridades concluam os trabalhos pertencentes a outras secretarias e realizem campanha alertando aos usuários para que colaborem com as medidas adotadas", opinou o leitor.

Para uma leitora de Ponta Grossa, no Paraná, a prisão do traficante Nem fortalece o combate à corrupção, visto que um tenente do Batalhão de Choque não aceitou propina para liberar o carro em que estava o bandido:

"Só posso parabenizar o secretário Beltrame, o governo do Rio, e especialmente o tenente e seu colega que agiram com lisura e imparcialidade na prisão do traficante. São homens e ações desse tipo que nos fazem ter orgulho do Brasil!". 

O leitor Ivanilson Severino de Melo, de Brasília, aponta que, depois da ocupação, é hora de prender quem financia o tráfico carioca:

"Até então os criminosos faziam o que queriam e ninguém ousava atrapalhar as suas ações. Agora, com esta resposta do Estado, acredito que eles, os bandidos “pobres”, serão mais cautelosos nas suas investidas. Agora é só prender quem financia o tráfico de drogas e de armas".