Polícia percorre endereços usados por PMs que teriam executado Patrícia Acioli

Agentes tentam cumprir 18 mandados de busca e apreensão relativos ao assassinato da juíza

Os três policiais militares acusados pela execução da juíza Patrícia Acioli, ocorrida em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vão prestar novos esclarecimentos aos investigadores da Divisão de Homicídios (DH) na tarde desta terça- feira, depois de passarem a madrugada na sede da especializada. Ainda na segunda-feira, eles tiveram uma conversa preliminar com os agentes. Perto de 90 agentes estão nas ruas para cumprir 18 mandados de busca e apreensão, informou a polícia. Eles percorrem endereços de pessoas relacionadas aos três policiais e buscam mais provas do caso para incluir no inquérito.

De acordo com policiais civis, os agentes cumpriram 16 mandados de busca e apreensão, na segunda-feira. Eles estiveram na casa dos PMs acusados de matar a juíza e na residência de familiares. Ainda na segunda-feira, quase 700 armas, calibre 38 e 40, foram recolhidas do 7º BPM (São Gonçalo). As armas foram levadas para a DH, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, e devem ser encaminhadas ainda nesta terça para o Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), onde serão periciadas.

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Segundo informações do delegado titular da Divisão de Homicídios (DH), Felipe Ettore, responsável pelas investigações, a morte da juíza aconteceu imadiatamente depois da vítima receber a advogada dos PMs em seu gabinete. Na conversa, Patrícia revelou à advogada que decretaria a prisão dos envolvidos na morte de um jovem em São Gonçalo.

"Os PMs estavam desesperados para não serem presos novamente. Quando receberam a informação da advogada de que ele pediria as prisões novamente, eles seguiram a Patrícia e a mataram", contou Ettore. 

De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça, Manoel Rebêlo, o Ministério Público do Rio e a Polícia Civil investigam se a advogada dos policiais colaborou na prática do crime. A identidade da mulher não foi divulgada. 

Patrícia Acioli foi morta no dia 12 de agosto, quando se aproximava do condomínio onde vivia, em Piratininga, no município de Niterói. A juíza de 47 anos trabalhava na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo (RJ) e já tinha recebido várias ameaças de morte graças às condenações de policiais militares envolvidos em episódios de corrupção.