Maria Luisa de Melo, Jornal do Brasil
RIO - A morte do músico Rafael Mascarenhas, há uma semana, quando andava de skate no Túnel Acústico (Zona Sul) trouxe à baila um dos fantasmas recorrentes na vida dos cariocas o grande número de atropelamentos no estado do Rio, onde este é o tipo de acidente de trânsito que mais mata.
De acordo com o Detran, dos 28.170 acidentes de trânsito registrados em todo o estado no ano de 2009, 33% foram atropelamentos com 913 vítimas fatais.
Esses acidentes, segundo Ana Ruth Nogueira, coordenadora do Núcleo de Apoio à Vítima de Trânsito (Nupevi), integrado ao Detran, nem sempre são provocados pelos motoristas.
Os pedestres também devem ser educados comenta. Muitos deles atravessam em locais impróprios, mesmo perto de passarelas.
A Barra da Tijuca (Zona Oeste) é a segunda colocada em número de acidentes de trânsito na cidade. Apesar da existência de uma enorme passarela no bairro, instalada na Rua Armando Lombardi, muitos pedestres preferem se aventurar por entre os veículos.
A impunidade é outra agravante do quadro. Um grave acidente que assustou os cariocas, desta vez por imprudência do motorista, foi o atropelamento de seis pessoas entre elas um bebê de nove meses em junho do ano passado, em Bangu (Zona Oeste). O motorista André Leandro da Silva, 39, dirigia embriagado e nem tinha habilitação.
A minha filha morreu, e o atropelador não foi punito até hoje, após mais de um ano revolta-se Márcia da Conceição Silva, mãe de Emanuele, a vítima. A fiscalização é frágil.
Ainda de acordo com o Detran, após o início da Operação Lei Seca, em março de 2009, houve 839 acidentes a menos que no ano de 2008.
Para Ana Ruth Nogueira, do Nupevi, ainda há muito o que avançar.
Cada vida perdida ou salva não tem preço. A Operação Lei Seca melhorou o cenário de atropelamento e outros casos de violência no trânsito, mas ainda há muito o que se fazer opina.
Morte na obra
Terça-feira de madrugada, Cídio Marques Gama, 60, que trabalhava no recapeamento da Avenida Ayrton Sena, na Barra, morreu ao ser atropelado por um rolo compressor. Cídio, que prestava serviço para a prefeitura do Rio, caiu e não foi visto pelo colega que dirigia o rolo.