Yala Sena, Portal Terra
TERESINA - Gari há oito meses, Rodrigo Fernandes das Dores de Souza, 23 anos, chora ao falar sobre o irmão, o goleiro Bruno, do Flamengo, principal suspeito do assassinato da ex-amante Eliza Samudio. Morador de uma residência de chão de terra batida, na cidade de Campo Maior, no Piauí, ele manda um recado para o irmão:
"Quero pedir ao Bruno que, se foi ele que cometeu essa injustiça, que pague pelo crime. Se ele for condenado ou inocentado, que ele nunca desista dos seus sonhos. Ele tem que erguer a cabeça. A família, que ele abandonou, está torcendo por ele. Somos irmãos dele, não só nos momentos de fama. Somos parentes nos momentos alegres e difíceis como agora".
Ao saber, em 2002, que era irmão do goleiro, Rodrigo o procurou em Minas Gerais. Lá, Rodrigo conviveu com ele por 1 ano e 8 meses. Na casa, conheceu o Macarrão, o menor que denunciou o goleiro em depoimento, e todos os envolvidos no crime que culminou com a morte de Eliza. Ele afirma que tudo que está aconteceu com o Bruno é "fruto de má companhia".
Na convivência com o irmão, Rodrigo relata o comportamento impulsivo de Bruno e diz que já chegou a apanhar dele com "galho de mamona", após intrigas de Dayanne, mulher do goleiro. "O Bruno não é de levar desaforos para casa. Ele se estoura fácil. Creio que o Bruno possa estar envolvido no sequestro, mas não no crime", disse.
Em Teresina, Rodrigo foi preso por furto a um aparelho celular em 2007, mas se diz inocente. Ele vive atualmente com a esposa e ganha um salário mínimo da prefeitura para recolher lixo da rua.
Segundo Rodrigo, a mulher de Bruno tem "ciúmes doentios" do goleiro e faz "intrigas até com a família". De acordo com ele, os dois brigavam muito por causa das farras e festas das quais o Bruno participava.
O caso
Eliza está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncia anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.