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RIO - A Justiça do Rio de Janeiro negou, nesta quinta-feira, recurso ao estilista Francisco Agustin Mackey, acusado da morte de seu sócio Amaury Vancini Veras, da grife Frankie & Amaury. Ele recorreu da decisão de ser julgado por júri popular, determinada pelo 4º Tribunal do Júri, por homicídio duplamente qualificado, segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público.
A data do julgamento ainda não foi definida. Amaury foi encontrado morto em seu apartamento, onde morava com Frankie, em setembro de 2004. Na versão que deu à polícia, Frankie Mackey disse que encontrou o colega enforcado, em casa, e que acreditava que ele teria se suicidado.
De acordo com o MP, o laudo comprovou que o estilista teria sofrido agressões antes de ser enforcado. Ele tinha um corte profundo na cabeça que atingiu a massa encefálica e provocou fraturas no crânio. Os promotores disseram que Frankie desferiu o golpe que provocou os ferimentos em Amaury. Ainda de acordo com o Ministério Público, depois de golpear Amaury, Frankie asfixiou o estilista.
Frankie foi o primeiro a chegar ao local do crime. Segundo a polícia, ele se contradisse em relação ao horário de chegada dele ao apartamento, à forma como ele removeu o corpo de Amaury da porta em que estava pendurado e, ainda, à posição da echarpe, usada para enforcar a vítima, em relação ao cadáver.
Frankie não comapareceu a nenhuma das três reconstituições da morte do estilista com quem dividia a grife Frankie Amaury. Para entrar no apartamento, embora a porta principal estivesse danificada e aberta, a polícia esperou autorização da proprietária. À época, Frankie esvaziou o apartamento devido a dívida de mais de R$ 100 mil, que gerou ordem de despejo.
A dupla, que conquistou o mercado da moda nos anos 80, com a grife Frankie Amaury, chegou a ter cinco lojas no Rio. Por problemas financeiros, elas fecharam em 2004. Um mês após a morte do estilista, por falta de pagamento aos funcionários, a Justiça fez inventário em mercadorias da loja de Ipanema. Os empregados, com quatro meses de salários atrasados, ganharam direito de ficar com as peças.
Glamour e brigas
Nas décadas de 80 e 90, Frankie Mackey e Amaury Veras reinaram absolutos no cenário da moda carioca. As criações em couro da grife Frankie Amaury eram objeto de desejo de uma cartela de clientes elegantes que ia da socialite Carmem Mayrink Veiga à atriz Sílvia Pfeifer.
Além de sócios, os dois eram namorados. As brigas eram constantes, e os dois evoluíam freqüentemente para agressões físicas. Uma dessas cenas foi presenciada, em 2004, pelo pai de Amaury. Ao chegar ao escritório onde funcionava a grife, flagrou o filho agarrado a um pedestal. Precisou atirar-se sobre ele para evitar que arremessasse o objeto na cabeça de Frankie.