ASSINE
search button

Perícia usará Luminol para confirmar sangue em carro de Bruno

Compartilhar

Ney Rubens, Portal Terra

CONTAGEM - O jipe Land Rover do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, do Flamengo, apreendido no dia 8 de junho, foi encaminhado para o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, no fim da tarde desta terça-feira, onde será periciado com a ajuda de uma substância chamada Luminol (produto químico especial capaz de fazer aparecer traços de sangue até então invisíveis a olho nu). A polícia busca pistas sobre o desaparecimento da estudante Eliza Samudio, 25 anos, mãe de um suposto filho do atleta, que pedia na Justiça o reconhecimento da paternidade da criança de quatro meses.

Mais cedo, fontes da Polícia Civil informaram que foram encontrados vestígios de sangue no sítio e no carro do goleiro, mas a informação não foi confirmada pela investigação. De acordo com os responsáveis pela apuração, os resultados da perícia feita, nessa segunda-feira, com Luminol no sítio do jogador ainda não ficaram prontos, e o veículo ainda não foi periciado.

Equipes da Delegacia de Homicídios de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, foram novamente para o sítio de Bruno, hoje, para confirmar se o irmão de Luiz Henrique, conhecido como Macarrão (amigo de Bruno que trabalharia como seu segurança), esteve no local. Ele é apontado como responsável por levar Eliza para Minas a pedido do atleta.

As delegadas Ana Maria Santos e Alessandra Wilke, que investigam o desaparecimento ouviram na manhã desta terça-feira o depoimento de Cleiton da Silva Gonçalves, 22 anos, motorista do jipe do jogador apreendido. Após o depoimento, Gonçalves não quis falar com a imprensa, mas seu advogado repetiu várias vezes: "ele é inocente (...) Ele vai provar que não tem nada a ver com isso, por esse motivo foi liberado e não ficou agarrado aqui (na delegacia)".

O veículo foi apreendido perto do sítio de Bruno localizado em Esmeraldas, na divisa com a cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, por estar com impostos atrasados. De acordo com o boletim de ocorrência, no dia da apreensão os homens que estavam no veículo informaram aos policiais que levavam o carro do Rio de Janeiro para Minas Gerais a pedido de Bruno. Um dos ocupantes do carro já teve passagem pela Justiça por roubo.

O caso

O goleiro do Flamengo nega as acusações de que estaria envolvido no desaparecimento de Eliza. No ano passado, a estudante paranaense procurou a polícia para dizer que estava grávida do goleiro, e que ele a teria agredido para que ela tomasse remédios abortivos para interromper a gravidez. O processo de reconhecimento de paternidade corre na Justiça do Rio. O menino foi registrado apenas com o nome da mãe, sem pai declarado.

Eliza está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. A delegada Alessandra disse que contatou as amigas de Eliza no Rio, que confirmaram a viagem. Na última quinta-feira, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza teria sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador. Ainda de acordo com as informações recebidas pela polícia sob sigilo, o goleiro teria queimado roupas e pertences de Eliza após o crime.

Segundo a apuração de Alessandra, Bruno esteve no sítio entre os dias 6 e 10 de junho. Na noite de sexta-feira, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estaria lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante o depoimento dos funcionários do sítio, um dos amigos de Bruno afirmou que, por volta de 19h de sexta-feira, Dayane havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

"Esta criança passou por várias casas até chegar a esta residência onde a encontramos. Ela passa bem e está sob a guarda da Justiça em um abrigo", afirmou a delegada. O pai de Eliza, José Samudio, chega a Contagem neste domingo, para buscar o neto e acompanhar as investigações sobre o sumiço da filha.

Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade na manhã deste sábado. Ela também será novamente convocada a depor.

Por meio de sua assessoria, Bruno disse não saber do paradeiro de Eliza, nem do filho. "Não tenho contato com essa mulher há mais de dois meses. Nunca a levei para Minas. Nas férias fui para minha fazenda com a Dayane, minha esposa, e minhas filhas. A Dayane continua lá, e eu voltei para treinar", afirmou o goleiro.

Outras polêmicas

O goleiro Bruno já esteve nos noticiários policiais outras vezes. Quando jogava pelo Atlético-MG, em 2006, ele foi detido em Ribeirão das Neves, cidade onde morava, por ter participado de um racha de carros durante a madrugada.

Já no Flamengo, em 2008, Bruno e outros atletas da equipe carioca se envolveram em uma briga com garotas de programa durante uma festa no sítio do atleta logo após uma partida entre o rubro-negro e o Atlético-MG.

Bruno também deu uma polêmica declaração em uma entrevista coletiva quando tentou defender o jogador Adriano, seu colega de Flamengo, de uma suposta acusação de agressão à noiva. "Qual de vocês que é casado que nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que não até saiu na mão com a mulher, né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, xará", disse o goleiro no início de março.