Flávio Dilascio, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Prestes a completar cinco anos à frente do Ministério das Cidades assumiu em 21 de julho de 2005 Marcio Fortes acredita que os problemas e prejuízos causados pelos temporais nas metrópoles podem ser minorados a longo prazo. Para isso, sugere a expansão de projetos urbanísticos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que contribui para o reassentamento de moradores de áreas de risco, como o morro do Bumba, em Niterói, área arrasada pelas chuvas de abril.
Este e outros assuntos serão debatidos por ele e outros convidados no seminário Chuvas de abril, lições e soluções, promovido pelo Jornal do Brasil e o Clube de Engenharia, a ser realizado nesta segunda-feira, das 14h30 às 19h, no auditório do Clube de Engenharia, no Centro.
Por que grandes cidades como o Rio enfrentam tantas dificuldades quando chove forte?
As grandes cidades brasileiras sofreram grande processo de ocupação desordenada desde o século passado. Por muitas vezes, não havia planos diretores de crescimento urbano, nem definições de áreas de interesse social. Isso levou boa parte da população a ocupar áreas de risco, e esse problema sempre é deflagrado quando as grandes metrópoles são castigadas por grandes tempestades, como a que houve no Rio no início de abril.
Falando no Rio, como está a cidade em relação às demais metrópoles do país sob os aspectos que o senhor falou?
O Rio não foge à regra desse crescimento desordenado, que desencadeou a formação de inúmeras favelas, muitas em áreas de risco, e na ocupação demasiada da Baixada Fluminense. A Baixada, por si só, já é uma área condenada a sofrer alagamentos, devido à dificuldade de escoamento das águas pluviais. Com a construção de muitos imóveis, esse quadro piorou. O problema das favelas foi deflagrado no morro do Bumba, em Niterói, onde a população sofreu as consequências da falta de planejamento na ocupação daquela área. Estes problemas afligem a maioria das capitais brasileiras, e o Rio está dentro deste contexto.
Como é que o Ministério das Cidades está tratando dessa questão?
Nossa principal ação nesse sentido é através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Só para a Baixada Fluminense, destinamos R$ 220 milhões para obras que contribuam para melhorar este quadro constante de inundações. Sem contar as obras de saneamento. Posteriormente, começamos a fazer obras de drenagem, não só no Rio, como em todo o país. Dentro do PAC II (segunda fase do programa, iniciada este ano), passamos também a ter recursos para a contenção de encostas. Aliás, desde o início do PAC, em 2007, já investimos R$ 208,7 bilhões.
Falando novamente do Rio, o senhor acha que a união dos três poderes (prefeitura, governo estadual e federal) tem contribuído para a boa execução de todos esses projetos?
Sem dúvida. O governo federal sempre disponibiliza recursos, e as parcerias ajudam a viabilizar tudo. No caso dos desabrigados do Morro do Bumba, conseguimos reassentar todos os atingidos em pouco tempo, aproveitando unidades que já estavam em construção.
O senhor pensa em continuar exercendo alguma função no governo federal caso Dilma Rousseff seja eleita?
Procuro não pensar no futuro para me concentrar no presente. Mas, se vier um novo convite e for do meu agrado, certamente irei. Caso contrário, vou tocar a minha vida normalmente. Em cinco anos, fiz um governo muito intenso, e os resultados estão sendo colhidos agora. Muitos acreditavam que eu fosse interromper o meu mandato no Ministério das Cidades para me candidatar a deputado. Só que quis completá-lo por puro comprometimento.
O senhor acredita que a ex-ministra Dilma está preparada para assumir a Presidência? Acha que ela dará continuidade a tudo o que está sendo desenvolvido no governo Lula?
Sim, pois a Dilma foi peça fundamental neste nosso governo, destacando-se na execução do PAC e do programa Minha Casa Minha Vida. Além de ser uma grande executora de projetos, acredito que ela está preparada para exercer a função de presidente por ter feito tudo o que pôde no governo Lula.