Zona Norte menor proporção de garis por habitante na cidade

Thiago Feres , Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Região que abriga o futuro palco da final da Copa do Mundo de 2014 o estádio do Maracanã e inúmeras quadras de tradicionais escolas de samba como Mangueira, Vila Isabel e Portela, a Zona Norte do Rio sofre com uma equação nada proporcional feita pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e pelas autoridades de segurança do Estado.

Segundo dados da Comlurb, cada gari que atua na região atende a um grupo de 1.306 moradores. Em contrapartida, na Zona Sul do Rio, o número é bem menor: um gari para cada 760 habitantes. Tal discrepância irrita quem vive na Zona Norte. Segundo o presidente da Associação de Moradores do Méier, Jorge Barata, toda a área é vítima de uma discriminação há muitas décadas.

O cenário nunca foi muito diferente do atual afirma. As ruas principais do bairro, como a Dias da Cruz e a Hermengarda, nunca sofreram muito com problemas de varredura. No entanto, as vias auxiliares sempre foram abandonadas, com muito lixo. O policiamento também é deficiente.

Segundo a Comlurb, 2 mil novos garis se formaram em 27 de abril e não existe qualquer déficit no quadro de profissionais. A maioria dos aprovados vai atuar na Zona Oeste, segundo a empresa. Ao todo, o município conta com 14.368 garis, mas nem todos atuam efetivamente nas ruas.

Diariamente, são recolhidas aproximadamente 4 toneladas de lixo somente na Avenida Nossa Senhora de Copacabana e 1,5 tonelada no Calçadão de Campo Grande. As duas vias recordistas de sujeira superam, por exemplo, a Avenida Rio Branco, no Centro, mesmo com a tradicional distribuição de panfletos.

Segurança é outro problema

Morador da Tijuca, o engenheiro aposentado José Carlos Sciammarella é mais uma a reclamar da insegurança na Zona Norte. Segundo ele, só é possível caminhar pela Praça Saens Peña até as 21h, horário em que se encerra o patrulhamento da Guarda Municipal.

A falta de policiamento é tão grande, que existem pontos onde não podemos circular nos bairros da Tijuca e do Maracanã reclama.

Por uma questão de estratégia, a Polícia Militar não divulga a relação entre policiais e habitantes nas diversas regiões do Rio. No entanto, estão lotados no 3º BPM (Méier), por exemplo, 646 policiais. O batalhão é responsável por policiar 22 bairros, numa área equivalente a 42 quilômetros quadrados e população de 548 mil pessoas, segundo o comandante da unidade, o tenente-coronel Moura.

No Leblon, o 23º BPM conta com 800 policiais para patrulhar sete bairros com área aproximada de 37,5 quilômetros quadrados. A população estimada é de 500 mil habitantes.

Segundo a presidente da associação de moradores do bairro da Zona Sul, Evelyn Rosenzweig, há 15 anos, o efetivo já contou com cerca de mil homens.

Mesmo assim, ainda há mais policiais parra uma área menor que a do Méier.

Novos carros e ruas bem patrulhadas na Zona Sul

Policiais recém-formados com especialização em policiamento comunitário estão reforçando o efetivo do 23º BPM (Leblon). Sessenta homens se dividem em duplas e circulam a pé pelos pontos onde a quantidade de crimes é maisse elevada. Durante ronda realizada na última semana, o Jornal do Brasil flagrou duplas de policiais nas ruas Cupertino Durão, Humberto de Campos, João Lira e General Urquiza. Em breve, eles serão lotados em novas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mas, enquanto elas não são inauguradas, estão atuando nos bairros da Zona Sul.

Daqui a aproximadamente dois meses, a Polícia Militar receberá 750 novas viaturas que serão encaminhadas para nove batalhões de municípios do interior do estado. Além disso, 300 novas motocicletas vão ajudar a aumentar a segurança dos motoristas durante engarrafamentos. Elas serão distribuídas entre todas as unidades. Hoje, a PM tem 4.983 viaturas e 580 motos.