Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - Pacientes do setor de Politrauma do Hospital Municipal Miguel Couto denunciam o mau atendimento na unidade. Segundo eles, que preferiram não se identificar por ainda estarem em tratamento, faltam medicamentos, material e roupas para realização de cirurgias. Os doentes relatam que foram obrigados a levar lençol e toalha de casa, e a comprar remédios e até um termômetro. Eles dizem que cirurgias tiveram de ser canceladas pela falta de roupas cirúrgicas.
Dentre os remédios em falta estaria o analgésico Tramal. De acordo com os pacientes, o medicamento era um item de luxo no setor: assim que chegava, acabava. Sem ele, a única opção era a dipirona.
O ideal é que o hospital tenha várias opções de tratamento avalia o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze. Eu, por exemplo, tenho alergia à dipirona.
Outra queixa diz respeito à escassez de profissionais no hospital; a maior parte dos atendimentos é feita por residentes não supervisionados.
Para conseguir falar com o chefe dos médicos, você tinha que esperar em frente à porta de reunião reclama um paciente da ortopedia.
A fila de espera para uma cirurgia ortopédica no Miguel Couto chega a quase um mês. Mas eles denunciam que a situação muda caso o doente conheça alguém do hospital.
Só nessas horas que os médicos chefes entram na enfermaria denunciam.
Os hospitalizados afirmam também que o controle da pressão arterial de pacientes hipertensos não é feito regularmente. Exames de sangue teriam sido perdidos pela equipe e precisaram ser refeitos. Além disso, eles dizem que, no período em que estiveram no hospital, um paciente teve a perna inflamada após ter sido enfaixada sem a devida limpeza. O engano só foi percebido quando o rapaz entrou na na sala de cirurgia e o médico percebeu o problema.
A limpeza do hospital também deixaria a desejar. Segundo as denúncias, o banheiro por vezes fica 24 horas sem ser limpo, acarretando mau cheiro.
Para Jorge Darze, os conflitos na relação entre pacientes e profissionais da saúde são ocasionados pelo número reduzido de médicos.
O déficit de profissionais atinge não apenas a rede municipal de saúde. Segundo o vereador Paulo Pinheiro, em todos os hospitais públicos, sejam eles municipais, estaduais ou federais, a situação é a mesma: excesso de pacientes e escassez de roupa, medicamentos e profissionais.
Já fizemos várias audiências públicas sobre isso. São mais de 40 pessoas na fila para operar em ortopedia afirma o vereador. É a mesma coisa no Salgado Filho, Souza Aguiar, Hospital de Ipanema e de Bonsucesso.
No início do mês passado, o vereador apresentou um requerimento de abertura de CPI para investigar a falta de pessoal nos postos de saúde e hospitais. O pedido foi indeferido.
Secretaria
de Saúde rebate as denúncias
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC) e a direção do Hospital Municipal Miguel Couto informaram, em resposta às denúncias, que cirurgias eletivas seguem critérios técnicos de prioridade, com preferência para casos mais graves. Os órgãos afirmam também que não há falta de medicamentos, insumos ou roupas cirúrgicas no hospital. Eles negam que residentes atendam os pacientes sem supervisão.
O comunicado diz, ainda, que todos os exames são registrados em livro, podendo ser solicitada segunda via. A limpeza do hospital, segundo a secretaria, é feita de forma regular e satisfatória pela Comlurb.
Segundo a SMSDC, a falta de detalhes dos pacientes e a distância de cerca de um mês dos ocorridos dificultaram a apuração das denúncias.