Agência Brasil
RIO - Duas mortes ocorridas na noite de sábado durante a falta de energia no Hospital Estadual Albert Schweitzer, no subúrbio carioca de Realengo, serão investigadas pela Secretaria de Saúde e Defesa Civil do estado do Rio de Janeiro, pelo Ministério Público, pelo Conselho Regional de Medicina e pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-RJ).
Na manhã dessa terça-feira, o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze, visitou o hospital acompanhado do deputado estadual Átila Nunes, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa. Darze anunciou as investigações paralelas à oficial. O diretor do Albert Schweitzer, Dílson Pereira, nega relação entre as mortes e a pane elétrica, mas Darze apontou negligência na administração.
A secretaria preserva a identidade dos pacientes e detalhes sobre seu histórico hospitalar. Darze revelou, no entanto, que eram dois homens: um com pé diabético já em necrose e outro com cardiopatia grave, ambos internados na terapia intensiva.
"Por que o paciente com quadro de amputação estava há um mês no Albert Schweitzer esperando a cirurgia e por que o que sofreu o enfarte estava num hospital que não tem excelência em cardiologia?", perguntou o presidente do sindicato.
As respostas oficiais para as indagações de Darze poderão vir em um mês, com a conclusão dos trabalhos da Comissão de Óbitos do estado. Por enquanto, a Secretaria de Saúde apenas divulgou notas reforçando a posição de Dílson Pereira.
O Hospital Estadual Albert Schweitzer está funcionando parcialmente com a ajuda de um gerador da Light - empresa de energia elétrica que abastece a cidade do Rio de Janeiro - desde que seu deixou de ser acionado. Segundo Darze, a rede elétrica do hospital precisa de reparos urgentes, o que vem sendo adiado pela secretaria, apesar de avisada.
"Os cabos condutores de energia da subestação no subsolo para o hospital sofreram superaquecimento e, por isso, faltou energia. São menores do que o necessário e estão instalados de maneira inadequada. A empresa terceirizada responsável pela manutenção do sistema comunicou à secretaria, mas nada foi feito até então", explicou Darze.
A Comissão de Saúde da Assembleia, em nota assinada pelo deputado Átila Nunes, reforçou as informações de Darze: "Tudo leva a crer que a empresa contratada executou os serviços de maneira incorreta, já que usou conectores para cabos de 400 mm² nos cabos de 300 mm²".
"Os prejuízos foram tão extensos que até terça-feira o gerador próprio do hospital não pôde entrar em operação, estando em funcionamento apenas um alugado, que não suporta toda a demanda da unidade e que obriga a direção a racionar a distribuição de energia".
A pane verificada na unidade de Realengo levou o Sindicato dos Médicos a questionar as condições de funcionamento de toda a rede pública estadual, começando pelo Albert Schweitzer e pelo Hospital D. Pedro II, em Santa Cruz. Lá, parentes de pacientes informaram sobre falta de energia no sábado e o sindicato recebeu denúncia de outras duas mortes.
Em nota, a secretaria confirmou um óbito: "No caso da paciente do Pedro II, a causa da morte foi insuficiência respiratória e cardíaca, em função de um acidente vascular cerebral, quadro agravado pelo fato da paciente ser hipertensa". Na tarde dessa segunda-feira, a Secretaria de Saúde informou que os hospitais Pedro II e Albert Schweitzer estavam funcionando, sem prejuízo para os usuários.
O Pedro II, de acordo com a secretaria, funcionava com a ajuda de gerador próprio mais energia elétrica da rede da Light (por precaução, já que vem tendo quedas frequentes no fornecimento no bairro). Já o Albert estava funcionando com o gerador da Light, enquanto esperava o reparo na subestação. A expectativa era de que o trabalho fosse concluído até o final da manhã de terça-feira.
Darze confirmou a troca dos cabos no prazo previsto, mas informou que nem a empresa responsável nem a Secretaria de Saúde haviam autorizado o funcionamento do gerador do Albert Schweitzer até o final da tarde.