Manuela Andreoni, Jornal do Brasil
RIO DE JANEIRO - O valor das mulheres no trânsito é mais do que emocional: é financeiro. Por serem mais cautelosas, dão menos prejuízos às empresas.
De acordo com pesquisa divulgada recentemente pelo Detran, dos 9.856 motoristas envolvidos em acidentes com vítimas, entre janeiro e outubro de 2008, 13% eram mulheres e 87%, homens. Considerando que 26% dos motoristas do Rio são mulheres e 74% são homens, conclui-se que elas se envolvem proporcionalmente menos em acidentes com mortos ou feridos.
É difícil ter batida grande com mulheres. Elas são mais cuidadosas, menos afoitas, respeitam a sinalização, param para os idosos. Temos uma boa resposta dos passageiros a elas frisa Hélio Ferreira, diretor da empresa de ônibus Braso Lisboa, que emprega seis mulheres como motoristas e tem outras quatro em fase de treinamento.
Preconceito, maior obstáculo
Apesar dos elogios dos patrões e do aval de todas as pesquisas realizadas, as motoristas cariocas ainda enfrentam resistências:
Há passageiros que se negam a subir no ônibus comigo ao volante conta a motorista Dissilene Jesus Silva, de 40 anos. De um homem, já é ruim ouvir isso, mas quando é mulher que fala eu fico ainda mais triste.
Dissilene trabalha na empresa Acari há seis anos e conta que foi muito perseguida. Ela diz que gosta muito da empresa, que sempre a apoiou, mas não nega confronto com os colegas do sexo oposto.
Quando entrei, meu chefe ficou hesitante, porque achou que as pessoas poderiam pensar que existia alguma coisa entre a gente. Mas ele me apoiou. É claro que as pessoas comentam lamenta Dissilene.
Segundo ela, alguns homens tentam fechá-la no trânsito, e o desafio é constante.
É meio a meio. Tem sempre aquele que dá passagem porque somos mulheres. Mas alguns tentam sacanear a gente, sim. Mas os chefes da empresa nos ajudam nisso reconhece a motorista.
Francisca Deise, da Braso Lisboa, concorda. Para ela, a profissão exige afinco e coragem.
A gente tem que impor respeito diz, séria.
Para o motorista Fernando Andrade, de 25 anos, a maioria dos homens é respeitadora:
É claro que tem alguns companheiros que não gostam, mas isso está mudando.