Calor obriga Bope a trocar de roupa

Thiago Feres , Jornal do Brasil

RIO - A tropa de elite da Polícia Militar do Rio vai trocar de roupa em 2011. No lugar do preto, os caveiras, como são conhecido os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), vão usar fardas beges, assim como os soldados americanos em missão no Iraque e a Guarda Municipal carioca.

A mudança se deve basicamente ao calor enfrentado pelos policiais durante as operações realizadas no verão.

O Bope vai ganhar fardas beges camufladas para ações em favelas, como as dos soldados americanos no Iraque. Estamos tentando reduzir o forte calor que eles sentem dentro das fardas pretas explica o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

No último dia 12, durante uma operação do Bope na favela Buraco do Boi, em Niterói, na região metropolitana, os termômetros marcavam 38ºC e um policial reclamou que a sensação térmica dentro da roupa ultrapassava os 50ºC. Além do sol, o peso é outro adversário para os agentes, já que eles carregam aproximadamente 22 quilos em equipamentos armas, fardas, colete à prova de balas e botas.

Apesar da necessidade das mudanças, o próprio Beltrame diz que não vê com bons olhos o abandono da tradicional roupa preta.

Perde um pouco da identidade, mas não estamos aposentando o uniforme preto. Ele será utilizado sempre que o sol não estiver muito forte. É uma espécie de uniforme de gala conta.

A notícia foi bem recebida pelos policiais.

Existe uma mística da nossa farda, mas como o preto não será aposentado, não vejo problemas. Além disso, a criminalidade utiliza equipamentos como lunetas para vigiar as entradas das favelas e a cor bege facilita a gente a se ocultar nos terrenos revela um major do Bope.

Atualmente, a tropa de elite também possui uma roupa camuflada, utilizada somente em ações nas matas.

Estamos perdendo parte da nossa operacionalidade devido ao forte calor reforça um cabo da corporação.

No entanto, a alteração de cores poderá impactar na imagem do Bope juntos aos moradores do Rio de Janeiro.

A população que mora em favelas poderá interpretar como uma suavização do poder policial, mas ainda é cedo para falar. Acho que a gente precisaria fazer uma análise mais detalhada avalia a antropóloga e especialista em segurança pública, Leonarda Musumeci.

Mudança geral

Os policiais militares que realizam patrulhamento nas ruas do Rio também vão ganhar novas fardas. Atualmente, existem seis roupas diferentes na corporação. A cor também já está escolhida: azul-marinho.

Especialista diz que preto é mais fashion e mostra poder

A jornalista especializada em moda, professora e pesquisadora de tendências Iesa Rodrigues não aprova o fim do uso da farda preta em operações do Bope. Segundo ela, o bege é ideal para ações no deserto. Já a cor preta, é classificada por Iesa como emblemática .

Eles próprios criaram essa coisa de autoridade, respeito e uma grande identificação com a cor. A maioria das autoridades de segurança de todo o mundo opta pelo preto analisa.

Ela acredita que o novo uniforme não possui a cor ideal para uma tropa como o Bope. Ainda assim, não é possível classificar o batalhão como fora de moda.

O bege é uma cor que neste ano está em evidência. No entanto, o preto é muito mais chique, e, sem dúvida, eles estão quebrando um estilo bastante fashion avalia.

Sujeira

Iesa Rodrigues interpreta que a cor bege representa neutralidade. Já o preto passa algo mais próximo de poder.

O bege ainda possui um outro ponto negativo: é uma cor que suja muito mais do que o preto lembra.