Caio de Menezes, Thiago Feres, Jornal do Brasil
RIO - Não são apenas os turistas que sofrem com a desordem no Cosme Velho (Zona Sul). Na Rua Efigênio de Sales, na lateral da Estação de Trem do Corcovado, os moradores demonstraram insatisfação com a utilização da via como estacionamento. De acordo com Antonieta Costa Leitão, cabe a quem mora na rua respeitar as vontades dos flanelinhas que administram a área .
Vira e mexe, alguém orientado por esses guardadores, para o carro em frente à minha garagem. Um dia, perdi a paciência e fui falar com o flanelinha. Fui obrigada a ouvir desaforos e achei até que seria agredida, tamanha foi a grosseria afirmou a dona-de-casa.
Para o porteiro de um dos edifícios da Rua Efigênio Salles, Joarez de Jesus Santos, o estacionamento irregular põe em risco a vida dos pedestres.
O cara que vem andando pela calçada é obrigado a desviar o trajeto para o meio da rua e pode ser atropelado. Mas o pior é que os carros quebram os canteiros e portões daqui do prédio ao fazerem a volta disse.
Para a babá Alexandra Carvalho, a pior parte da atuação dos flanelinhas, é a confusão promovida por eles.
Além de não poder passar com o carrinho pelas calçadas, somos obrigados a aturar barulho o dia todo. É uma gritaria, xingamentos, até pancadaria já vi disse.
Para um médico que mora na Rua Efigênio Sales e preferiu não se identificar, a presença dos flanelinhas está associada ao tráfico de drogas na comunidade Cerro-Corá.
Este deve ser o local que mais recebe turistas estrangeiros no País. Acho um absurdo ter que pagar um IPTU caríssimo para morar aqui e ter de ficar exposto à conivência policial com esses marginais. Mandam estacionar os carros onde querem, é uma situação péssima, que repercute lá fora.
Na outra via paralela à Estação do Trem do Corcovado, a Rua Smith de Vasconcelos, a principal reclamação é contra taxistas e motoristas de vans, que param na rua aguardando turistas.
Minha rua tornou-se um banheiro público. Esses motoristas fazem de tudo aqui. Eles estacionam em frente a nossas casas, param em fila dupla. É impossível entrar um caminhão para fazer uma entrega, e nossos filhos ficam sem espaço para brincar. Essas vans aqui são tudo de ruim. Nessa hora me pergunto onde está o tão propagandeado choque de ordem queixou-se a comerciante Melissa Perez.
Abordagem
A carioca Magdalena Souza Passos, que visitava o Corcovado com duas amigas americanas, disse que sentiu medo da abordagem de um taxista.
Posso ter cara de gringa, mas não sou. O cara veio gritando comigo, dizendo para eu entrar no táxi. Fiquei preocupada e assustada, mas não cedi. Fico imaginando como seria se fossem minhas amigas sozinhas, sem mim. Elas já não tem boa impressão daqui e ainda assistem a uma cena dessas, fica complicado lamentou a estudante, que contou que o taxista cobrou R$ 120 para levá-la, com suas duas amigas, até a Barra da Tijuca (Zona Oeste).
Turista sabe que está sendo enganado
A desordem reinante no Cosme Velho mancha o nome do Brasil no exterior, segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), Alfredo Lopes.
Ninguém deixa de visitar o Corcovado por conta desses problemas. Mas são incompreensíveis e inaceitáveis essas situações. O estrangeiro que vem para o Brasil tem grana e é instruído, ele sabe que está sendo enganado, tem perfeita noção do que acontece diz.
O delegado Fernando Vila Pouca, titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat), destacou que os turistas não costumam registrar reclamações contra a atuação de flanelinhas e taxistas, mas que ele costuma receber informações anônimas, ou de moradores da região, sobre as ilegalidades cometidas por essas máfias. O delegado afirmou saber que grupos distintos atuam em cada uma das atividades, ou seja taxistas e flanelinhas agem de forma independente.
A Deat possui investigações sobre algumas pessoas que cometem irregularidades nos acessos ao Corcovado. Grande parte do material foi coletada durante a Operação Corcovado uma ação permanente de repressão a essas ações.
Infelizmente, não tenho efetivo para fazer operações diárias em pontos turísticos da cidade.
Com relação ao Morro do Cerro-Corá, ele também possui a informação de que moradores da comunidade cobram preços abusivos para atuar ilegalmente como guias turísticos. A Turis Rio e a RioTur já desenvolvem o projeto Anfitrião Mirim no local. Menores de idade devidamente identificados usando crachás e camisas atuam nas atividades.
Vila Pouca disse que a exploração irregular dessas atividades não ocorre de uma forma constante pelas mesmas pessoas. O delegado não descartou a atuação irregular dos mesmos serviços (de táxi e estacionamento) em outros pontos turísticos da cidade.
Onde há fluxo de turismo, pode haver irregularidades. Estamos atentos a esses locais.
Efeito JB
O secretário Especial de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello, informou, depois de saber dos problemas pelo JB, que convocará reunião com a Secretaria Especial de Ordem Pública (Seop), a Guarda Municipal, com o Trem do Corcovado, com a Aquidiocese e com os responsáveis pelo turismo no estado para ouvir as principais queixas e elaborar soluções para o problema.
A Polícia Militar informou através de nota que mantém uma cabine do 2º BPM no Cosme Velho, bem próximo ao Corcovado. Tem ainda uma viatura baseada na parte externa e, policiais a pé. Dentro do Corcovado, policiais do BPTur fazem a segurança dos turistas. Durante todo o verão o 2º BPM e o BPTur realizam operação conjunta para impedir delitos em pontos turísticos e essas equipes vão averiguar a denúncia do JB .