Além da sirene nuclear, o alarme das chuvas

Caio de Menezes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Além das sirenes de aviso das usinas Angra 1 e 2, que podem soar em caso de acidente nuclear, moradores de Angra dos Reis passarão a conviver com outro tipo de alarme: pluviômetros eletrônicos (aparelhos que medem a quantidade de chuva) serão ligados a novas sirenes, que vão soar quando o nível de água acumulada atingir um ponto considerado crítico. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira, após o aviso de que 3 mil residências serão demolidas na cidade para evitar novos acidentes. Todas estão em áreas de risco.

As medidas resultaram de um encontro entre o prefeito Tuca Jordão e a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos. Embora não tenham estipulado um prazo para a instalação dos equipamentos de alerta, eles explicaram que os aparatos serão fixados no alto de morros e encostas do município. Também foi cogitada a ideia de estabelecer ecolimites nos morros da cidade, a fim de evitar a construção de moradias em áreas de risco.

Além das sirenes, faremos obras de contenção de impacto, para que os danos causados por possíveis deslizamentos não sejam tão trágicos. Além disso construíremos, no mínimo, 500 novas unidades habitacionais afirmou o secretário do Meio Ambiente de Angra, Marco Aurélio Vargas.

Governo volta atrás

Após a polêmica em torno do decreto 41.921, assinado em julho pelo governador Sérgio Cabral, que flexibilizava as construções em áreas de proteção ambiental na cidade, a secretária Marilene Ramos garantiu que ele não será seguido. E foi além: afirmou que o documento passa por uma revisão, que deve ser concluída em maio. Até lá, novas regras para a ocupação da cidade serão anunciadas. Elas vão seguir critérios apontados no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental dos Tamoios.

Esse decreto existe, mas não está sendo aplicado. Estamos fazendo estudos para alterar o decreto existente e apresentar um novo ao governador disse a secretária.

Após sobrevoo na região do Centro de Angra e da Ilha Grande, a secretária disse que será necessário fazer um mapeamento dos dois municípios. Segundo Marilene, técnicos em geotecnica da Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC) serão chamados.

Nossa idéia é unir esse estudo da APA Tamoios com os riscos de deslizamentos na região e ter um plano de manejo atualizado.

Após o resgate de 52 corpos de vítimas da tragédia na Costa Verde, o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Cortes, informou que as equipes de busca já têm ideia da localização de Roseli Marcelino Pedroso, 34, que continua desaparecida no Bananal.

Rio pode demolir 12 mil

Na cidade do Rio de Janeiro, a prefeitura pretende remover 12 mil famílias estabelecidas em áreas de risco. A informação é do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar. Segundo ele, estudos devem ser apresentados em 30 dias.