Caio de Menezes, Cristiane Pepe, Jornal do Brasil
RIO - Pelo menos 19 pessoas morreram no estado por causa dos temporais da madrugada e manhã de quinta-feira. Segundo técnicos da prefeitura, houve precipitação de mais da metade do que era esperado para todo o mês de dezembro. O volume pluviométrico registrado foi de 100 mm, quando o total médio mensal é de 168 mm.
Cinco pessoas da mesma família, entre elas uma criança de 2 anos, morreram em um deslizamento de terra. Elisângela Marinho, Isabela Marinho, Vladimir Marinho e João Paulo Marinho estavam em casa, na Travessa Antonina, na Praça Seca, em Jacarepaguá (Zona Oeste) e tiveram morte instantânea. Elisa Marinho, 38, chegou a ser resgatada com vida dos escombros, mas morreu no Hospital Salgado Filho, no Méier (Zona Norte).
Em Piabetá, na Baixada Fluminense, Jéssica Martins, de 12 anos, morreu soterrada em casa após o deslizamento de uma barreira na Rua Roberto Silveira. A prima dela, Ana Carolina Santos Silva, 9, ficou gravemente ferida. Também em Piabetá, Joaquim Pereira, 50, morreu afogado, após cair em um bueiro. Em Vaz Lobo (Zona Norte), três pessoas também morreram no deslizamento de uma encosta.
No Morro do Sapê, também em Vaz Lobo, uma criança de 10 anos morreu e outra ficou ferida, também em consequência do desabamento de uma encosta sobre a casa em que moravam. Em Quintino e em Cascadura, houve mais duas vítimas fatais.
O menino David Luciano da Silva, de 5 anos, morreu soterrado em um deslizamento de terra na Rua Prainha, 44, Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os pais dele foram retirados com vida. Também na Baixada, em Belford Roxo, outras duas pessoas morreram em um desabamento.
Em Niterói duas mulheres morreram no bairro do Cubango. Elas seriam irmãs e foram soterradas.
Estradas
A Rodovia Rio-Santos foi inteditada no Km 479, em Angra dos Reis, devido a deslizamentos de terra. Há cinco pontos de quedas de barreiras nesse trecho, e não há previsão de reabertura da rodovia. O tráfego foi desviado para dentro de Angra. No Km 446, uma pedra de duas toneladas caiu na pista.
Desde quinta-feira, mais de 1.800 pessoas não podem entrar em suas casas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por causa da chuva. Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, tenente-coronel Ronaldo Reis, o número de desabrigados chega a 641, enquanto o de desalojados fica em aproximadamente 1.200.
A Defesa Civil do município do Rio informou que a cidade permanece em estado de atenção para chuvas e em estado de alerta para deslizamentos. Das 19h da quarta-feira, até 15h de quinta-feira, o órgão registrou 336 chamados, sendo os principais para deslizamentos de barreira, alagamento e ameaça de desabamento. Em 24 horas os bairros que tiveram maior quantidade de chuva foram Ilha do Governador, Tanque, Bangu e Piedade. A previsão na cidade é de chuva leve a moderada o dia todo.
Paes visita famílias na Zona Oeste
O prefeito Eduardo Paes visitou quinta-feira pela manhã a Praça Seca, no bairro de Jacarepaguá (Zona Oeste), onde um deslizamento de terra matou cinco integrantes da mesma família. Paes também se reuniu com representantes de órgãos municipais no sistema integrado de gestão de emergências, no Centro de Controle de Tráfego da CET-Rio, no Centro, para um balanço das ações.
Como prefeito do Rio, fui me solidarizar com as famílias que passaram por esses momentos terríveis na noite de quinta-feira. Infelizmente, o que a gente está verificando são chuvas mais constantes e permanentes. E o acumulado faz com que haja uma série de deslizamentos disse o prefeito.
Paes afirmou que os deslizamentos de terra não ocorreram em áreas consideradas pela Fundação Instituto de Geotécnica do Rio de Janeiro (Geo-Rio) como de maior risco na cidade.
No próprio caso dessa família em que faleceram cinco pessoas na Praça Seca, era uma área que tinha vegetação observou.
Segundo o prefeito, este ano, pela primeira vez, os pontos de alagamento foram infinitamente menores do que o número de deslizamentos . Ele fez um apelo à população que vive em áreas de risco para que se desloque para a casa de parentes, caso haja sinais de perigo.
Não fiquem em casa porque esse acumulado de chuvas que estamos tendo e com a continuidade das chuvas sexta-feira, sempre tem risco de mais deslizamentos.
Ele destacou, porém, que ocorreram apenas pequenos deslizamentos de terra que não atingiram apresentaram soterramento de várias casas. A prefeitura informou que os desalojados foram encaminhados para abrigos e ou para quartos alugados em hotéis.
O prefeito avaliou que o plano de emergência e de contingência do município funcionou.
A prefeitura está presente nas ruas, tentando minimizar o sofrimento das pessoas que, em alguns casos, infelizmente, é muito difícil diminuir.
Menina morre soterrada em morro de Vaz Lobo
O último dia do ano foi de muita dor para uma família que vive no Morro do Sapê, em Vaz Lobo (Zona Norte). Um deslizamento de terra na madrugada de quinta-feira derrubou a parede do barraco e matou Cassiane Guedes da Silva, de 10 anos, que dormia no chão ao lado da irmã Juliana. A tragédia ocorreu na Rua do Terço, esquina com Rua Várzea, onde os bombeiros conseguiram retirar as duas com vida dos escombros. As crianças foram levadas para o hospital, mas Cassiane não resistiu aos ferimentos.
De acordo com a mãe da menina, Rosemary Guedes, de 41 anos, uma pedra já havia deslizado e atingido a casa por volta das 19h30 de quinta-feira. A família foi dormir e, mais tarde, ocorreu o novo deslizamento. Os primeiros a chegarem à casa para socorrer as meninas foram os vizinhos Rafael Souza de Aquino e Gilmar de Abreu. Rosemary morava com o marido, Fidélis da Silva, de 53 anos, e mais seis filhos no imóvel.
Perigo
A família conseguiu uma casa emprestada para morar até achar um novo lugar. Por causa da chuva, outros deslizamentos ocorreram nas redondezas. Várias casas em situação de risco foram abandonadas por seus moradores.