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Praia na segunda: um programa para quem pode

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Manuela Andreoni, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Se você pensa que dia de praia é domingo de sol, está por fora. Bom mesmo é segunda-feira. Para turistas, trabalhadores autônomos e, como não poderia deixar de ser, estudantes levemente desocupados, segunda é o dia da paz nas areias cariocas.

Fui à faculdade e depois vim à praia, moro aqui perto. Não quer dizer que somos vagabundos justifica-se a estudante de comunicação Paula Dias, de 23 anos, que estava acompanhada por cinco amigos no Posto 9, em Ipanema.

Explicações para a presença na praia logo no primeiro dia útil da semana não faltam. O estudante de administração Felipe Campos, 23, diz que é uma questão de estilo:

As pessoas estão priorizando mais a qualidade de vida, e menos o hard work. É uma escolha.

Quem tem flexibilidade de horário, aproveita os dias de sol e de praia vazia. Sem a multidão, é tudo mais limpo e calmo.

A designer Vanessa Bouças, 29, diz que até freqüenta as areias de Copacabana aos domingos, mas prefere mesmo as segundas.

Trabalho no sábado e folgo na segunda. No domingo, fico uma horinha. Segunda-feira, consigo ficar mais tempo, já que é mais calmo.

Ela conta que, quando vai com a família no domingo, leva isopor com comidas e bebidas. Já sozinha, acaba consumido nos quiosques, para a alegria de Edson Cortes, 45, dono de uma barraca no Posto 5. Segundo ele, os fins de semana são mais rentáveis, porém de segunda a sexta é mais fácil cativar a clientela.

Ganho entre R$ 200 e R$ 300 em uma segunda. No domingo, gira em torno dos R$ 1 mil. Mas segunda-feira é meu dia preferido, posso conversar com os clientes conta o vendedor.

De acordo com os quiosqueiros e barraqueiros entrevistados, segunda-feira é o dia dos clientes fiéis. É o caso de uma turma de aposentados e autônomos que há cinco anos se reúne em um quiosque entre os postos 8 e 9, para jogar cartas.

É o melhor dia atesta, sorridente, o empresário Marco Moraes, de 50 anos.

Tendo trabalhado em São Paulo durante dois anos, o piloto de helicóptero Thiago Moura, 25, que aproveitava sua folga em baixo do sol de Ipanema, foi enfático:

Esta é a diferença do Rio para São Paulo. Enquanto os paulistas vão para casa, os cariocas vêm à praia. Qual é o problema? indaga.

De folga na capital carioca, o comerciante paulistano Luciano Albuquerque, 39 ficou surpreso.

Tem muita gente aqui para uma segunda-feira. Parece fim de semana em Santos.