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Cidadania: mulheres começam a alcançar homens no quesito desrespeito

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Thiago Feres, Jornal do Brasil

RIO - A maioria dos entrevistados durante a reportagem disse que a falta de educação é maior entre os homens.

Eles realmente são mais mal educados do que a gente opina a estudante Fernanda Costa, 21.

Estudiosos têm uma teoria:

No Brasil, os homens são criados com o conceito de que gentileza demais não combina com virilidade ou masculinidade analisa o psicólogo Antonio Carlos Oliveira, do Departamento de Serviço Social da PUC-Rio. Desde cedo, o sexo masculino não se preocupa muito com limpeza. Essa atribuição costuma ser sempre das mulheres. Mas me arriscaria a dizer que isso está mudando. Vejo muita mulher jogando papel de bala pelo vidro do carro.

Ele acrescenta que hábitos cotidianos são capazes de influenciar os mais novos desde os primeiros anos de vida.

Se você é criado num ambiente em que as pessoas jogam papel no chão, tende a repetir esse gesto, mesmo sabendo que é uma atitude errada. Não adianta ensinar uma criança que não se deve atravessar fora da faixa de pedestre se os pais não realizam a travessia dessa forma. Certamente, ela não agirá assim diz Antonio.

Para a socióloga Silene Freire, professora do Departamento de Políticas Sociais da UERJ, os problemas sociais não podem ser atribuídos apenas à falta de educação.

O nosso povo não é cidadão. Não existe o reconhecimento da esfera pública, mas sim do privado. Por isso, ninguém joga lixo no chão das estações do Metrô, por exemplo. O espaço público, na cabeça da sociedade, é o lugar onde pode tudo, da baderna analisa.

Silene classifica o pensamento da sociedade carioca como descartável.

O cidadão acha que, jogando um papel no chão está ajudando o gari a continuar empregado. É lamentável ressalta.