Traficantes teriam pressa para tomar bocas antes da Copa

João Pequeno, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - O cerco da polícia visando à Copa do Mundo e à Olimpíada, com a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como as do Dona Marta, em Botafogo, e da Babilônia, no Leme, pode estar apressando traficantes a garantirem áreas de domínio pelos próximos anos, relataram policiais civis ao Jornal do Brasil.

De acordo com eles, o governo estadual deve reforçar a segurança ao se aproximarem a Copa e os Jogos de 2016 para não correr o risco de perder o direito a sediá-los o que já aconteceu em 1986, com a Colômbia, que, dominada por carteis de narcotraficantes, cedeu a Copa ao México.

Segundo policiais, o aumento da segurança nas favelas com as UPPs pode eliminar a possibilidade de invasões, levando traficantes a tentar garantir bocas de fumo nos próximos dois anos, de preferência longe de instalações usadas nas competições esportivas. Ao mesmo tempo, a facção continuaria a traficar na encolha após a instalação da UPP sem correr risco de ser atacada.

Com a Mangueira próxima ao Maracanã cogitada para receber uma UPP, o Comando Vermelho teria entrado no Morro dos Macacos não para tomá-lo, mas para forçar os rivais da ADA e voltar para defendê-lo e, assim, não tentarem invadir as favelas da Tijuca.

Casa Branca e Morro do Cruz tinham, pelo menos, 100 homens da ADA que voltaram para Macacos, Rocinha e São Carlos com medo de perdê-los contou um policial, acrescentando que todos os traficantes mortos desde sábado eram do CV e que a facção não se importou com isso, porque a ação foi taticamente positiva para ela.