"Parecia uma guerra", conta morador que assistiu tiroteio

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Os moradores de Vila Isabel, na zona norte do Rio, afirmam que nunca viram um tiroteio tão intenso quanto o da madrugada deste sábado, quando traficantes rivais disputaram pontos de venda de drogas no Morro dos Macacos.

- Teve muito tiro aqui à noite inteira. Vi até clarão. Moro aqui há mais de 20 anos e nunca presenciei essa quantidade tiros. Parecia uma guerra de verdade, com tiros de longe e de perto, no morro todo - contou o produtor musical Felipe Covazzoli.

O tiroteio começou por volta de 1h, quando traficantes da favela São João invadiram o Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Pela manhã, a Polícia Militar tentou combater o confronto e teve um helicóptero atingido por tiro. A aeronave fez um pouso forçado, em um campo de futebol da favela São João, e em seguida explodiu. Em consequência disso, dois PMs morreram e outros três ficaram feridos.

Com o tiroteio, vários moradores ficaram desabrigados durante à noite, porque tiveram medo de subir o Morro dos Macacos. O garçom João Gonçalves conta que ficou fora de casa das 2h às 14h, esperando "as coisas acalmarem".

Para chamar a atenção da polícia para o confronto entre os traficantes, os moradores do Morro dos Macacos atearam fogo em pneus em frente à carceragem da Polinter, em Vila Isabel, e jogaram pedras em viaturas policiais.

O delegado de plantão, Orlando Zaccone, disse que chegou a suspeitar de uma tentativa de invasão da unidade, mas concluiu que era um protesto.

- Inicialmente, a informação era a de que havia possibilidade de invasão. No entanto, com a chegada da Core Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais da Polícia Civil entendemos que era uma forma de chamar atenção em uma das entradas favela. Após a chegada da polícia, várias famílias entraram e saíram da favela.

A disputa entre traficantes e policiais se estendeu ao longo do dia. Tiros atingiram uma escola municipal, provocando um pequena incêndio, controlado rapidamente. A operação no Morro dos Macacos seguiu ao longo do dia com a instalação de um gabinete de crise e cerco policial ao Morro dos Macacos e à favela São João.