Fogo destrói 90% do acervo de Oiticica

Jornal do Brasil

RIO - Cerca de 90% do acervo do artista plástico Hélio Oiticica (1937-1980) foram queimados num incêndio, na noite de sexta-feira, na casa de seu irmão, o arquiteto Cesar Oiticica, no Jardim Botânico. Segundo ele, havia mais de mil obras e trabalhos, avaliados em R$ 200 milhões.

Só os desenhos e metaesquemas, que ficavam na mapoteca, não foram atingidos. Esquemas de obras que não foram construídas podem ser usados disse César.

Até o último mês de agosto, as obras de Oiticica, um expoente da arte moderna reconhecido internacionalmente, estavam expostas no centro cultural que leva seu nome, no Centro do Rio. Após um impasse com a Secretaria de Cultura, no entanto, Cesar recolheu o acervo e passou a negociar o catálogo com o Museu de Belas Artes de Houston, nos Estados Unidos.

Como a negociação não foi à frente, ele guardou as obras.

Ainda ficaram coisas na reserva técnica do Centro de Artes Hélio Oiticica, pois estavam na exposição Penetráveis, que esteve em cartaz lá. Estávamos começando a trazê-las.

Em maio, o Metaesquema 19 foi arrematado em um leilão em Nova York por US$ 186.500.

Agora, resta apenas o que está em museus. O MoMa de Nova York tem um Bólide, um Relevo de parede e vários Metaesquemas. Já a série Cosmococas encontra-se em Inhotim, um centro cultural de Belo Horizonte. Outras obras estão no Museu de Arte Moderna e no Museu do Açude do Rio.

Pintor, escultor e performático de inspirações anarquistas, Oiticica é considerado por muitos um dos artistas mais revolucionários de seu tempo por suas criações experimentais e inovadoras.