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Paes: barreiras para isolar favelas de vias expressas serão erguidas

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Vladimir Platonow, JB Online

RIO DE JANEIRO - O prefeito do Rio, Eduardo Paes, afirmou hoje (12) que começam ainda este ano as obras de instalação de barreiras acústicas entre favelas e as duas das principais vias expressas da cidade, as linhas Amarela e Vermelha. Paes defendeu o projeto, alegando que o objetivo é proteger as comunidades do barulho e não para aumentar a segurança dos motoristas.

Não são muros altos, de um metro de espessura. Você tem as pessoas com uma autoestrada passando em frente, com um barulho infernal. E a Linha Amarela é o auge do elitismo. Só tem barreiras nas áreas ricas. Quer dizer que pobre pode ouvir barulho e rico não? Vamos fazer isso para todos , disse Paes, durante o lançamento do projeto Rio em Forma Olímpica, que pretende incentivar a prática esportiva entre crianças e jovens de comunidades pobres.

Paes negou que as barreiras acústicas sejam formas de exclusão, ou muros de Berlim , como foi tratado um projeto semelhante, da Assembleia Legislativa do Estado, proposto em 2004, mas que não chegou a ser efetivado.

É polêmica boba. Quem quiser ficar com essa besteira, basta ir lá na Linha Amarela, onde tem proteção de barreira acústica nas áreas ricas. Exclusão é quando você deixa uma criança de comunidade pobre, que mora no entorno de uma via expressa, pular para pegar uma bola de futebol e morrer atropelada , afirmou o prefeito.

A construção das barreiras, que devem ser coloridas e ter o desenho da silhueta de morros cariocas, com partes em acrílico transparente, começa em novembro e podem ter os custos pagos pela empresa que administra a Linha Amarela.

Mas, apesar das boas intenções do prefeito, o projeto vai enfrentar resistência, segundo o líder comunitário Sebastião Antônio de Araújo, o Tião, que coordena a Organização Não Governamental (ONG) Instituto Vida Real, direcionada ao atendimento de crianças, no complexo de favelas da Maré, à margem da Linha Vermelha.

Mais uma vez estão querendo esconder as comunidades carentes. O que eles têm de fazer, não fazem, que é pavimentação, creches, escolas e áreas de lazer , criticou Tião.

Segundo ele, a prioridade da prefeitura teria de ser ouvir as comunidades sobre o assunto e não impor o projeto: Se nos chamarem, certamente estaremos dispostos a ouvir.