Vida no condomínio mais luxuoso do Rio lembra o interior do país

Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Para se ter uma idéia de como o condomínio Jardim Pernambuco é chique, basta dizer que quem cuida do dia-a-dia, verifica se a limpeza e a segurança estão em ordem, é o economista Rubens Bernardo, que tem pós-graduação em administração de empresas.

Aqui é muito valorizado pela segurança, pela qualidade de vida e pela preservação das áreas verdes diz Rubens, que foi convidado para o posto há cerca de dez anos.

Até hoje, ele nunca viu nenhum caso de assalto no condomínio, graças aos 80 seguranças e às 24 câmeras, ajudados ainda por uma cabine da PM, doada pelos moradores.

Mais antigo, o morador Conde Caldas que vive no condomínio há 25 anos, diz lembrar de dois pequenos furtos a residências, ambos cometidos por ex-empregados:

Os moradores não trocaram a fechadura e, em dois fins de semana, suas casas foram invadidas. Mas roubaram poucas coisas e foram identificados pelas câmeras.

Rubens, 55 anos, diz que adora viver a rotina do condomínio, brincar com os herdeiros daquele paraíso e saber se nada falta aos moradores. Quando tem tempo, ele passeia pelo parque, que tem 2.500 metros de área verde preservada e atrai mães e babás de todo o Leblon com suas crianças.

Conde Caldas, cuja construtora já ergueu 108 imóveis na Zona Sul do Rio, conta que há duas décadas Ipanema era mais valorizada que o Leblon, mas hoje a situação se inverteu. A explicação para isso está na diferença dos gabaritos dos prédios nos dois bairros.

No Leblon, o Plano de Estruturação Urbana fixou a altura máxima em 25 metros. Em Ipanema, ficou nos 12, então os prédios antigos não deram lugar a novas construções, mais modernas, e acabaram virando pequenos comércios, se degradando.

Conde, que morava num triplex na Rua General Urquiza, não troca sua casa por nada, mesmo agora que os filhos casaram e mudaram:

Colho abacate no jardim da minha casa, em pleno Leblon.