Cruzada e Jardim Pernambuco dão o tom de 'Belíndia' do Leblon

Camilla Lopes, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Dizem que o Brasil é uma Belíndia, mistura do que há de melhor na Bélgica com o pior da Índia. No Leblon, bairro que neste domingo completa 90 anos, esse contraste está muito próximo, não só nas ruas, mas em duas comunidades bem diferentes.

De um lado, a Cruzada São Sebastião, com 985 pequenos apartamentos em 10 prédios, para onde foram transferidos, em 1969, os moradores da favela da Praia do Pinto, também no Leblon, consumida por um incêndio. Do outro lado, não muito longe dali, está o luxuoso condomínio Jardim Pernambuco, onde vivem alguns dos maiores milionários da cidade, talvez do Brasil. São 170 mansões guardadas por um exército de 80 seguranças.

Sobrenomes ilustres como Severiano Ribeiro convivem em harmonia, pagando aluguéis de até R$ 25 mil ou gastando incríveis R$ 12 milhões para se tornarem proprietários de um imóvel. Além dos guardas armados, a limpeza também fica a cargo da associação, que só precisa da Comlurb para recolher o lixo. Crianças andam livres pelas ruas tranquilas, vigiadas por 24 câmeras. Há quase 20 anos, uma favela começou a se formar perto dali. Os moradores gastaram US$ 300 mil e compraram todos os barracos, que foram derrubados em poucos dias.