Especial Leblon: Clubes mostram vigor para manter tradição do bairro

Thiago Jansen, Jornal do Brasil

RIO DE JANEIRO - Clube de Regatas do Flamengo, Paissandu Atlético Clube, Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), Clube Federal e Monte Líbano. As histórias destas instituições se confundem com a do próprio Leblon e se misturam ao cotidiano e às memórias de novos e antigos moradores. Mas para continuarem vivos e influentes, alguns clubes apostam na diversificação, oferecendo serviços também para não-sócios. De salões de beleza abertos ao público em geral ao desenvolvimento de projetos de inclusão social junto à comunidade, os grandes clubes do Leblon buscam fazer a diferença fazendo diferente, mas sem perder a pose, nem a tradição.

Nascida e criada no Leblon, a professora Jacira Nemésio, 52 anos, frequenta a AABB desde a infância, por ser filha de um funcionário do Banco do Brasil. Ela afirma que o clube foi e continua sendo importante no seu cotidiano.

Quando criança, eu tinha aulas de balé e ia ao clube com meus pais nos fins de semana. Hoje, são meus filhos que frequentam a AABB, pelas práticas esportivas e pelo convívio social que o lugar proporciona conta Jacira, mãe de Guilherme e Gustavo, de 16 e 19 anos. Eu frequento o salão de beleza.

O estudante de jornalismo João Reis, de 22 anos, é outro que cresceu dentro de clubes da região. Pertencente a uma família com três gerações de sócios do Paissandu, o rapaz considera os clubes sinônimos de lazer e alternativas mais familiares em comparação com as demais opções de diversão.

Os clubes do Leblon são uma resposta de certos setores da sociedade à falta de opções de recreação com segurança no espaço público, por culpa das autoridades afirma o jovem, que, mesmo não sendo sócio, frequenta a academia de musculação da AABB.

Papel histórico

Os clubes recreativos ainda teriam, segundo moradores mais tradicionais, influência direta na formação cultural do Leblon e na porção carioca do bairro.

Sérgio Rosa, gerente financeiro do Paissandu, vive no Leblon desde 1956 e acredita que muito do caráter VIP da região se deve à existência do clube.

O Paissandu trouxe uma referência ao bairro, devido à importância de seus sócios.

A opinião é reforçada por Paulo Morais, vice-presidente de divulgação da AABB, que lembra o papel dos clubes na própria construção do Leblon.

Os clubes atraíram novos moradores para o bairro, o que exigiu uma melhor infraestrutura.