Europanema se forma em torno da Rua Barão da Torre

João Pequeno, Jornal do Brasil

RIO - Com quatro albergues concentrados e identificados por bandeiras de diversos países principalmente europeus uma pequena vila na Rua Barão da Torre, perto da esquina com a Farme de Amoedo, resume o movimento cada vez maior de hospedarias de menor custo em Ipanema.

Além da Barão da Torre, novos albergues abriram em pontos próximos, rendendo àquela área do bairro e, especialmente, à vila dos quatro albergues, o apelido Europanema.

Há uma semana no Rio de Janeiro, as inglesas Sarah, 19; Rachel, 19; e Rosy, 18, iriam à boate Baronetti, após irem seis dias seguidos ao Empório. Também já haviam encontrado Jesus como elas mesmas simplesmente se referiam ao Cristo Redentor, de cuja história mostravam conhecimento invejável para muito carioca.

Sempre me impressionou como uma obra dessas foi feita, lá no alto da montanha, em 1931 ressaltou Rachel, vestindo uma camisa amarela do Arsenal local onde as três moram em Londres e time para o qual as três torcem. Por isto ficaram felizes com a derrota do rival Manchester United para o Barcelona, na final da Liga dos Campeões da Europa.

Não foram somente elas, como o Jornal do Brasil conferiu em um dos pubs que concentram estrangeiros em Ipanema.

O Irish Pub, junto à Praça General Osório, dividiu-se, na tarde de quarta-feira, entre quem torcia pelos red devils(diabos vermelhos) e quem torcia contra, sem necessariamente ser natural de Manchester nem torcer para o Barcelona, mas deixando claro o fanatismo inglês pelo futebol.

A torcida oposta ao campeão mundial de clubes em 2008 reuniu duas gerações de do contra na sacada do pub. Morador do Rio há seis meses, o barman Adam Edwards, 28, torcedor do Everton, divertia-se a cada lance perdido por Rooney, Cristiano Ronaldo e cia., assim como o pai, David Edwards, 54, fã do Tottenham Hotspurs, que visitava o Brasil pela primeira vez.

A torcida majoritariamente pró-Manchester, inclusive de brasileiros, não assustou pai e filho, habituados a nadar contra a corrente numa família em que todos, fora eles próprios, são Liverpool.

Melhor que a derrota do rival, só as mulheres brasileiras , que fizeram Adam trocar a Inglaterra pelo Rio, em circunstâncias que ele contava com detalhes impublicáveis.

A mesma felicidade não teve o irlandês Dualta Jones, 22, que socou a mesa do bar nas poucas vezes em que abandonou um estado de catatonia com os erros do time pelo qual passou a torcer em 1990, por ter vencido o primeiro jogo que ele assistiu ao vivo.