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Acordos de moeda local: saída para centralização do dólar

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JB Online

RIO -

O segundo semestre de 2008, período em que ocorreu o agravamento da crise financeira, também foi marcado pelo que, especialistas admitem, pode ser considerado o primeiro passo rumo à descentralização do dólar como moeda de troca internacional: o convênio de comércio em moeda local entre Brasil e Argentina.

Essa crise vem depois de várias outras que afetaram os emergentes desde os anos 90. E por trás disso vem a centralidade do dólar, que se tornou insustentável diz o professor Giorgio Romano Schutte, do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo (Gacint/USP). Não sairemos disso no curto prazo, mas a diversificação do eixo dólar, libra, euro e iene será importante até para os EUA, que precisam se concentrar menos no consumo e mais na poupança.

O tratado estabelecido em outubro, no entanto, ainda não atingiu um volume de operações que o sustente como indício de uma tendência viável para o restante do Mercosul, como inicialmente proposto pelo governo. A ideia era reduzir os custos, uma vez que não seria mais necessário converter o dinheiro em dólar para fazer pagamentos.

O volume de operações ainda é tão pequeno que não pode nem ser considerado simbólico. Pode-se dizer que, pelo menos por enquanto, o esquema não funciona diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Como alternativa, Castro defende o fortalecimento do Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), acordo firmado início da década de 80 com o propósito de facilitar o intercâmbio comercial da região.

Moedas conversíveis

Para o vice-presidente da AEB, os países de fato estão buscando saídas para a dependência do dólar e do euro, mas com prioridades distintas, que não necessariamente refletem o debate sobre uma nova arquitetura financeira mundial.

Quem propõe isso são países com moedas não conversíveis. A China, por exemplo, no fundo busca fazer do yuan uma moeda conversível avalia Castro.

O advogado Eduardo Felipe Matias, especializado em Direito Internacional, concorda sobre os reais motivos da tendência.

Esses arranjos têm mais a ver com custos de transação do que com um pensamento macroeconômico destaca Matias.

Já o presidente da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim), Michel Alaby, embora também afirme que a China, por exemplo, fala em negociações em moeda local para fugir do risco de perdas com a instabilidade cambial, acredita que o mundo caminhe para uma cesta de moedas , alinhado à teoria de Schutte.