João Paulo Aquino, JB Online
RIO - Imagine que cada placa de trânsito vista na rua represente, em média, 50 garrafas pet retiradas do meio ambiente. Porém, as placas feitas do material reciclável não trazem apenas benefícios ecológicos, elas também representam ganhos aos cofres públicos. Experiência realizada no Jardim América, Zona Norte do Rio, entre 2006 e 2007, mostram queda no roubo das chapas sinalizadoras.
O bairro apresentava altos índices de roubos a placas de alumínio, cerca de 35% não duravam um ano revela Charles Torres Dias, diretor comercial da empresa Sinasc, fabricante de ecoplacas. As pessoas roubavam as chapas de alumínio e vendiam com facilidade em desmanches e ferros velhos. Quando colocamos 100 novas sinalizações feitas de garrafas pet, esse número caiu para 5%.
Segundo Torres, a nova geração de placas não possui valor comercial. Por isso, a redução nos índices de vandalismo. Na Zona Sul também foi feita uma experiência e cerca de 10 placas continuam preservadas há três anos no final da Rua Delfim Moreira, no Leblon.
Três motivos
Os apelos para a instalação desse tipo de sinalização são basicamente três. Ao comparar o custo de uma eco-placa com uma convencional de alumínio percebe-se um ganho variante entre 15% e 20%. O custo ambiental também é reduzido, já que uma garrafa plástica pode levar algumas centenas de anos para se decompor. E a adoção da nova tecnologia contribui para a cidade manter-se sustentável. Outra vantagem é a geração de empregos.
A lâmina bruta, sem pinturas, é produzida no Paraná. A empresa produtora compra garrafas pet de cooperativas de catadores de lixo de todo o Brasil, o que gera emprego e renda a várias famílias diz Torres.
Para cada metro quadrado de placa são necessárias, em média, 80 embalagens pet. A Sinasc usa apenas garrafas transparentes.
Nós compramos a lâmina já pronta e fazemos os acabamentos como laminação, pintura, furos e adesivagem explica o diretor, que garante que o produto final não deixa a desejar se comparado ao similar de alumínio.
Apesar de o metal ter vida útil superior à chapa alternativa, as placas apresentam basicamente o mesmo tempo de duração: 10 anos.
O que determina a vida útil de uma placa de trânsito é o material aplicado na sua confecção, como a pintura. No caso dessa nova geração de chapas, é a película aplicada esclarece Torres.
Apesar de as placas serem novidade, elas já podem ser encontradas em várias ruas do Brasil. Cidades como Florianópolis, Curitiba, São Paulo e Barra Mansa, no interior fluminense, já empregam a nova tecnologia.
Os gastos de instalação das placas convencionais e ecológicas são os mesmos, pois procedimentos como perfuração de solo, fixação de alicerce e emprego de mão de obra se repetem.