Marcelo Migliaccio, JB Online
RIO - A nove dias do primeiro desfile do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, o clima na Cidade do Samba (Gamboa, Zona Norte) e no Sambódromo (Praça Onze) já era de frenesi na última sexta-feira. Dizem que Carnaval é samba, suor e cerveja , mas na corrida contra o tempo a transpiração predominava.
Estamos dentro do cronograma, mas não podemos perder o pique. Por isso, tenho ficado aqui no barracão das 8h às 21h. Antes, saía às 18h diz o carnavalesco Fransérgio Santos, que divide com Laíla, Alexandre Louzada e Bira a tarefa de levar a Beija-Flor de Nilópolis ao tricampeonato.
Há dez anos na escola azul-e-branco, Fransérgio diz que o desfile deste ano poderá ser resumido em uma palavra: alegria.
O tema é mais leve, favorece a brincadeira observa.
Este ano, a Beija-Flor leva para o Sambódromo o enredo No chuveiro da alegria, quem banha o corpo lava a alma na folia, que conta a relação das diferentes sociedades com o banho.
Entre os operários, a empolgação cresce à medida em que as alegorias e adereços tomam forma.
Ficamos até mais tarde, mas vale a pena quando vemos que tudo está ficando pronto diz o decorador Ediel Policarpo, 27 anos, há dois na escola de Nilópolis.
Nas portas dos outros barracões, filas se formavam com pessoas que foram buscar suas fantasias. Pelo prazer de desfilar, pouco importava a espera debaixo de chuva.
Estou aqui há meia hora e ainda vou trabalhar hoje, mas vale a pena conformava-se Carolina Peixoto, que pagou R$ 70 por uma fantasia da ala Céu Católico, da Unidos da Tijuca.
Mais relaxadas, Suleide de Assis e suas sete amigas decidiram esperar a chegada do caminhão com as fantasias que usarão na ala Maracatú, do Salgueiro, tomando cerveja num bar próximo.
Comecei quando o Carnaval das escolas de samba era na Avenida Presidente Vargas. É tradição de família. Meu neto, que está com 7 anos, já canta o samba inteirinho. De pequeno é que se torce o pepino.
Assim como sua turma, Suleide não paga nada pela fantasia por ser da comunidade.
Pagamos com o suor nos ensaios, toda quarta-feira e domingo. Nunca faltamos.
No Sambódromo, o ritmo de trabalho é intenso e camarotes e pistas começam a retomar o aspecto que adquirem na folia.
Confesso que nem gosto muito de Carnaval, nunca vim assistir aos desfiles e, em casa, só dou uma olhada quando passa a Beija-Flor contou o operário Paulo Roberto Pereira de Oliveira, 40, enquanto soldava frisas.
Ambulantes aproveitavam para faturar um dinheiro com o burburinho que aumenta a cada dia.
Chegamos às 10h e saímos às 3h, 4h da madrugada conta a vendedora de cerveja e refrigerantes Rose Marques, 40, que ganha até R$ 250 por dia trabalhando duro com uma amiga na entrada do Sambódromo.