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Lojas de produtos eróticos faturam mais com a crise

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Bruna Talarico, JB Online

RIO - Enquanto a crise financeira faz muitos fecharem as portas, baixarem a cabeça e cruzarem os braços, tomados pela impotência, um grupo de mulheres no Leblon vem fazendo justamente o contrário. Com a motivação de repovoar o imaginário dos maridos e namorados e afins deprimidos com a queda na receita, amigas e frequentadoras de lojas de artigos femininos investiram na autoestima e terminaram por aumentar a alegria dos parceiros e o lucro das lojas, que chegou a até 40% desde setembro, quando o crack do mercado se anunciava.

O leque de atuação é amplo: passa pelo aprendizado de strip-tease, roça na massagem sensual e atinge o ápice no pompoarismo. Com a crise, vale até lingerie de oncinha e camisola de renda. Os maridos, contam elas, aprovam e pedem mais.

Neste baixo astral de crise, as pessoas falindo, falindo e falindo, a gente só cresce. No começo, as mulheres estavam procurando animar os homens, e eles começaram a se sentir estimulados lembra Suzana Leal, 53 anos com corpinho de 21 e cabeça de 15 , dona da Pselda, sexy club do Leblon badalado por mais de 5 mil clientes em menos de um ano na nova sede. Posso afirmar com folga que 70% das vendas de Natal e Ano Novo foram feitas por homens. Eles substituíram, por conta da mesma crise, as jóias pelas lingeries. E aprovaram tanto a iniciativa da mulher que quiseram se mostrar parceiros dela nisso.

A designer de jóias Carmem Emília, 53, cliente da loja desde o início e eventual ajudante na arrumação das roupas íntimas produzidas quase artesanalmente, faz coro com Suzana.

A pessoa encontra aqui coisas para ficar mais bonita, para chamar a atenção do marido, não existe aquele pudor de contar a intenção do que se está comprando explica. Aqui a gente fala que quer uma coisa para seduzir o marido e ponto. Não tem vergonha.

E a vergonha também não existe na hora da confecção das peças. Para Suzana, o foco é a mulher real, que tem o corpo que cultiva e a vida atarefada da cidade grande.

Roupa tem que servir para todas as ocasiões, é o meu ABCD: aniversários, batizados, casamentos e diversos diverte-se. A gente já mudou a vida de muitas pessoas, porque a mulher é muito ligada a hormônios, que têm que ser compensados com alegria e visual bacana. Aqui é uma dosagem de autoestima, nós somos o complemento do Viagra.

O aumento nas vendas não atingiu somente a Pselda. Outras lojas de artigos sensuais também foram beneficiadas pelo boom erótico gerado pela crise financeira. O casal Ralph e Karina Furtado, dono da A2, em Ipanema, reforça que todas as crises desviam o foco dos casais, que deixa de ser externo para se refugiar para a intimidade.

A crise faz com que as pessoas fiquem mais em casa, deixem os programas como barzinhos e se descubram mais. Quando você fica mais em casa acaba descobrindo a própria mulher, o marido, a namorada, que é quem está do seu lado o tempo todo, mas às vezes você não dá aquela atenção ressalta Ralph. Toda crise que aparece, que perturbe um pouco a cabeça da família, gera uma busca maior por produtos eróticos.