'Pitbull' é enterrado, e com honras de chefe do tráfico

Eloisa Leandro, Jornal do Brasil

RIO - O chefe do tráfico da Mangueira, Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, foi enterrado com honras de chefe do tráfico, na tarde desta sexta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. O clima de comoção demonstrou que alguns moradores de comunidades dominadas pelo crime ainda idolatram a ação dos traficantes de drogas. O cortejo contou com cerca de 200 pessoas, que sob aplausos e canto de músicas religiosas gritavam Guerreiro e Ele é o melhor . Quatro ônibus foram alugados por traficantes da Mangueira para levar parentes e amigos do morto ao enterro.

Pitbull recebeu 18 coroas de flores, sendo a maioria enviada por traficantes de comunidades dominadas pela facção Comando Vermelho. Mangueira, Jacaré, Cidade Alta, Manguinhos, Pavão-Pavãozinho, Tuiutí e Complexo da Penha eram umas delas. Numa das coroas, uma homenagem com as inscrições Morreu um guerreiro , do CVRL (Comando Vermelho Rogério Lemgruber), fundador da facção na década de 80. Outra foi enviada pelo traficante conhecido como 2K, preso no sistema presidiário do Rio.

Num caixão de luxo, o corpo do traficante deixou a capela 1, às 16h, e foi enterrado em uma gaveta nos fundos do cemitério. A funerária que prestou o serviço não revelou o custo do enterro. Um funcionário do São João Batista informou à equipe de reportagem que traficantes da Mangueira ameaçaram a administração local, que alegou não ter gaveta disponível para o enterro. Assustados, funcionários improvisaram uma espaço para o sepultamento do traficante.

Muitas pessoas choravam e duas supostas primas de Pitbull passaram mal durante o sepultamento e foram amparadas por parentes. Ambas não foram identificadas. Uma delas desmaiou, enquanto a outra mostrava desespero aos gritos de O que vai ser da gente agora, primo? .

No término do enterro, pessoas ligadas a Pitbull despedaçaram coroas de flores que não couberam na gaveta.

Tráfico desafia PM

Nem o aparato de 50 policiais do 2º BPM (Botafogo), do 19º BPM (Copacabana) e do 23º BPM (Leblon), além de 20 à paisana, impediu a ação de traficantes da Ladeira dos Tabajaras, dominada pelo Comando Vermelho. Por volta das 13h, eles trocaram tiro com policiais, que reprimiram a queima de fogos de artifício em homenagem a Pitbull. Um traficante, não identificado, morreu. Foram apreendidas uma pistola 9mm e duas cangalhas de fogos de artifícios.

Mesmo com a presença de 25 homens da PM na Ladeira dos Tabajaras, traficantes desafiaram a polícia e fizeram uma queima de fogos com duração média de 15 minutos, logo depois do enterro. Do cemitério, era possível avistar olheiros em diversos acessos do morro.

De acordo com o comandante do 2º BPM (Botafogo), coronel Gilleard Albuquerque, que comandou a operação, não há previsão para a desocupação da PM da Ladeira dos Tabajaras, e nem das ruas vizinhas ao cemitério.

A ocupação da polícia é por tempo indeterminado afirma o coronel.

Antes da remoção do corpo de Pitbull morto em confronto com a Polícia Civil na quarta-feira do Instituto Médico Legal, mais de cinco viúvas do traficante partiram para luta corporal, na manhã desta sexta-feira.