Sepultado rapaz morto em Brás de Pina

Ricardo Schott, JB Online

RIO - Foi enterrado nesta manhã desta quinta-feira Rafael Oliveira dos Santos, jovem morto por policiais durante uma perseguição em Brás de Pina. O rapaz era garçom do refeitório do 2º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Deodoro.

A cerimõnia aconteceu às 11h, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio, acompanhada por cerca de 100 pessoas, entre amigos e parentes, além de um policial da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada e quatro militares do batalhão no qual Rafael trabalhava.

O rapaz deixa um filho de 9 meses e a companheira Bruna Vieira, com quem se casaria em fevereiro. Bruna acompannhou o enterro e não quis falar com a imprensa. O irmão Leonardo e a avó Ana Lucia também estavam na cerimônia.

A morte de Rafael, que não estava em serviço na hora da perseguição - estava sob licença médica, devido a um tratamento que fazia no joelho - causou sentimento de revolta em sua família. O rapaz ouvia música com um amigo num Palio estacionado em frente à vila onde residiam, quando três homens se aproximaram e os orbigaram e ligar o veículo. Uma patrulha da polícia civil que estava próxima iniciou perseguição, com troca de tiros.

A correria terminou com o Palio caído no valão que divide as pistas da Rua Arapongi e com tiros disparados pelos policiais - que alegam terem respondido a tiros vindos do carro, isparados por um dos assaltantes. No final, todos os que estavam no Palio foram mortos.

- Eu só quero justiça, porque meu filho foi morto de forma covarde. Eles (os que estavam no carro) não tinham para onde correr - diz o pai de Rafael, o açougueiro José Antonio Bezerra dos Santos que, desabafando, afirmou que seu filho era um grande trabalhador.

Durante o enterro, outtra a desabafar foi uma prima de Rafael, Maria José Alves.

- Que polícia é essa que mata primeiro e depois pergunta quem é? Não existe jusstiça no Brasil - disse Maria, lembrando que o amigo de Rafael, o vigilante Paulo Marcos da Silva, só foi enterrado porque uma pessoa o conhecia. - Passaram perto do carro e reconheceram. Já meu primo, não. Ele nem estaria sendo enterrado aqui.

O comandante do 2º Batalhão de Infantaria Motorizada, Pedro Wood Conrado, disse que a PM e o Exército, sob seu comando, já haviam iniciado uma investigação do caso para apurar a responsabilidade dos polciais. O processo tem 30 dias para chegar a um resultado - podendo ser prorrogado para mais 40. Apesar de a família de Rafael contestar o fato da PM, envolvida no caso, estar também em sua investigação, o coronel Conrado afirma ser este o procedimento natural.

- A lisura da investigação será garantida, e estaremos também acompanhando tudo - diz Conrado, que gostava de Rafael. - Era um rapaz, dedicado e bastante trabalhador. Cuidaremos também da pensão a qual o filho dele tem direito.