Faltam banheiros adaptados para deficientes na orla de Copacabana

Carolina Bellei, Jornal do Brasil

RIO - Desde dezembro, a Rua Rodolfo Dantas, em Copacabana, está em obras para se tornar a primeira via do Brasil a ser modelo de acesso para deficientes físicos. O projeto da Rio Urbe, com previsão de conclusão para setembro, vai adaptar a via para que haja segurança e conforto para os portadores de necessidades especiais, com sinais sonoros, rampas de acesso, sinalização em braile, pisos de alerta. Um investimento de mais de R$ 743 mil, que vai levar os deficientes da Estação Arcoverde do metrô até a praia, e ainda há previsão de uma esteira de bambu do calçadão à areia. Mas surpreendentemente os banheiros dos quiosques que ficam em frente a rua modelo não terão acesso especial para as pessoas com deficiência, apenas escadas.

Os quiosques adaptados mais próximos ficam na altura da Rua Princesa Isabel e na Rua Paula Freitas, onde há plataformas de acesso para os banheiros subterrâneos.

Não estamos falando de adequação, o que muitas vezes é mais difícil. Os quiosques são um projeto recente da prefeitura reclama Horácio Magalhães, presidente da Sociedade dos Amigos de Copacabana. Não dá para entender como os quiosques que ficam em frente a uma rua que será modelo não sejam adaptados.

De acordo com a Orla Rio concessionária que opera os quiosques do Rio o contrato assinado com a prefeitura exige que haja banheiros com acesso para deficientes apenas a cada quilômetro, e a empresa está cumprindo a exigência. Mas não há referência específica à Rua Rodolfo Dantas. A assessoria ainda informou que mais dois quiosques em Copacabana ganharão plataforma de acesso na altura das ruas Constante Ramos e Francisco Sá.

Banheiro a 700 metros

A Secretaria Municipal de Pessoas com Deficiência esclarece que o projeto de renovação dos quiosques da orla carioca é anterior ao da rua modelo de acessibilidade e que por isso os projetos não se complementam. Mas de acordo com o gabinete da secretaria, a medida que a rota começar a ser usada, os frequentadores serão informados sobre os banheiros mais próximos, que não ficam em quiosques. O mais perto da Rodolfo Dantas é a cerca de 700 metros, no Posto 2.

Os argumentos não convencem a advogada Mariana Vaz, que mora com a mãe cadeirante em Copacabana. Por lei, todo mobiliário público tem que garantir a acessibilidade aos deficientes físicos lembra a advogada, que completa. Parece que no Brasil todos os projetos ficam pela metade. Como pensar em uma rua modelo se os estabelecimentos ao redor, com licença concedida pela Prefeitura, não estão adaptados para receber os deficientes físicos?