ASSINE
search button

PF apura nova suspeita sobre Álvaro Lins

Compartilhar

Paula Máiran, Jornal do Brasil

RIO - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) perdeu para um de seus fornecedores, a empresa Incopec - Indústria Mecânica Ltda, de Volta Redonda, ação judicial no valor de R$ 120 milhões, de indenização por quebra de contrato. O valor penhorado e em vias de ser pago à vencedora da ação espanta pelo valor em si. Mas o montante do dinheiro em jogo pode ser apenas a ponta inicial da investigação de uma denúncia já ao encargo da Polícia Federal e formalizada no Ministério Público Federal e no Estadual de esquema de fraude judiciária para fins de extorsão contra a CSN.

Segundo a denúncia, teria havido o suposto envolvimento do ex-chefe da Polícia Civil e deputado cassado Álvaro Lins, dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, de magistrados, de um perito judicial, de advogados, de empresários e de contraventores.

A assessoria do casal Garotinho informou nesta quarta-feira que o casal afirmou desconhecer completamente o teor da denúncia. O advogado de Álvaro Lins não deu retorno a recado deixado em sua secretária eletrônica.

Tráfico de influência

Segundo a testemunha, que tem o seu primeiro depoimento marcado para breve no Ministério Público Estadual, Garotinho, Rosinha e Lins teriam atuado no tráfico de influências para permitir o fechamento de um acordo entre os supostos envolvidos no esquema sobre o destino final do processo. O esquema teria se originado por iniciativa de representantes da ex-fornecedora da CSN.

Lins teria sido convidado para participar do esquema pelo contraventor Francis Bullos, de Volta Redonda, sogro do ex-chefe de Polícia, casado com Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins, acusada, como ele, na operação da Polícia Federal Segurança Pública S.A., de ser usada como laranja em esquemas manobrados pelo marido.

De acordo com a denúncia de testemunha identificada nas instâncias formais, mas preservada nesta reportagem o valor disputado judicialmente se multiplicou ao longo do processo número 2000.001.074000-3, iniciado em 27 de agosto de 1999. Em determinado momento, o total do pedido era de R$ 52.983.094,53. O valor final, de R$ 120 milhões, segundo a acusação feita na Polícia Federal, teria sido acordado pelos envolvidos no esquema e justificado por meio de perícia, forjada, com o envolvimento de um perito. em função dos interesses do grupo. Advogados que prestavam serviços para a CSN na época também são apontados por participação nas negociações escusas. Um desses advogados também teria trabalhado para o ex-chefe de Polícia Civil.

Demissão em massa

A empresa Incopec alegou na ação de indenização ter prestado serviços durante 19 anos a CSN, na usinagem, em reparos, fabricação e fornecimento de sobressalentes e equipamentos siderúrgicos de médio e grande porte, utilizados nas unidades operacionais da companhia siderúrgica.

Segundo dados do processo, com a implantação do Cinturão de Fornecedores da Região, em setembro de 1993, houve demissão em massa na CSN e a terceirização dos serviços. Entre as alegações da Incopec, há a queixa de que houve revisão ou reajuste de preços dos serviços prestados entre 1996 e 1997, o que teria gerado desequilíbrio na receita e despesa da empresa, com resultado de grandes prejuízos, com o pagamento de mão de obra, dissídios coletivos, aumento de combustíveis, energia elétrica, gases, ferramentas de cortes etc. A Infotec teria a CSN como único cliente. A primeira denúncia sobre o suposto esquema em Volta Redonda foi protocolada no MPF no último dia 12.