Carolina Bellei e Janaína Linhares, Jornal do Brasil
RIO - Duas áreas nobres da Zona Sul devem conseguir resistir à especulação imobiliária que atormenta a região, conforme publicado nesta sexta no JB na coluna da Anna Ramalho. Decreto publicado no Diário Oficial do Município de ontem tombou provisoriamente a Cobal do Leblon e a do Humaitá.
Em seu ex-blog, o prefeito Cesar Maia afirma que a intenção é proteger áreas tradicionais dos cariocas. Os prédios construídos em 1971 são da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab), empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
E de acordo com o prefeito, o Governo Federal teria contratado a Caixa Econômica Federal, por R$ 65 mil, para avaliar as áreas e depois vender para o setor imobiliário.
Em nota, a Conab não desmente a intenção de vender as áreas e afirma que "por determinação do Governo Federal vem implementando um programa de modernização da rede armazenadora do país", que inclui a venda de imóveis para gerar recursos que seriam investidos na construção e/ou aquisição de novas unidades para receber e estocar produtos agrícolas.
Tombamento definitivo
O secretário de Patrimônio, André Zambelli, esclarece que o decreto provisório é o primeiro passo para o tombamento definitivo, que precisa de mais conteúdo e embasamento, e por isso, requer um pouco mais de tempo. Mas ele garante que a Cobal do Leblon e do Humaitá projeto dos arquitetos Alcides Horácio de Azevedo, Caio de Oliveira Castro e Márcio Guedes da Costa, premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil estão protegidas.
Esta foi uma medida cautelar para impedir qualquer mudança nos prédios explica Zambelli, que acrescenta. Mas desde o decreto de 2004, que definiu a Cobal como área de especial interesse funcional, as atividades nos locais estão garantidas.
De acordo com Zambelli, o tombamento não impede que o terreno seja vendido, mas proíbe que os prédios sejam colocados a baixo. Já o decreto de quatro anos atrás, garante aos comerciantes que continuem exercendo suas atividades, mas o uso dos espaços depende dos contratos de aluguel com a Conab.
O vereador Luiz Humberto (DEM) é o criador do projeto de tombamento dos prédios e defende as construções contra os espigões.
Estamos na defesa do patrimônio porque há mais de 37 anos o estabelecimento funciona no local, agora inclusive com bares e restaurantes. Já virou identidade da Zona Sul. Não podemos deixar desaparecer para levantarem espigões se indigna o vereador.
A preservação é em função das construções e da cultura e lazer. São símbolos e temos que preservar porque daqui a pouco só existirão prédios na cidade.
As Cobais, em princípio, serviriam como opção permanente às feiras livres. No início eram cinco, mas as do Méier, Campinho e Irajá acabaram desativadas.