Carlos Braga, Jornal do Brasil
RIO - Jandira Feghali (candidata da coligação PCdoB- PSB-PTB-PTN- PHS) garantiu ontem que uma de suas primeiras medidas na área de educação será extinguir o sistema de ciclos, adotado pela rede pública municipal. A candidata contou que ouve, com freqüência, este apelo de pais e alunos, que consideram o sistema ineficiente.
Não vai mais haver essa aprovação automática que o governo Cesar Maia estabeleceu nas escolas públicas municipais. Isso é um escândalo. Nem os pais, nem os alunos querem. Estão saindo da escola sem saber ler ou escrever criticou Jandira Feghali, durante uma caminhada ontem, por volta do meio-dia, no Mercadão de Madureira (Zona Norte).
Três ciclos
No sistema criticado pela candidata, as séries do ensino fundamental foram divididas em três ciclos, cada um subdividido em três períodos. Ao final de cada ciclo, o desempenho do aluno é avaliado, para analisar sua capacidade de cursar o próximo.
Temos que integrar educação com cultura e esporte. E ampliar o tempo na escola defendeu.
A distribuição de votos por diversas classes sociais e faixas etárias, apontada pela própria Jandira como um de seus maiores trunfos eleitorais, não encontrou reflexo na caminhada que ela fez no centro de comércio popular. A candidata encontrou uma recepção morna por parte dos consumidores que andavam pelos corredores e lojas. A certa altura, Jandira Feghali fez menção de ir cumprimentar uma senhora que almoçava em uma lanchonete e recebeu de volta um aceno desanimado.
Como quem avisasse que aquele era o máximo de contato desejado. O gesto não pareceu constranger a candidata, que prosseguiu, cercada por militantes e candidatos a vereador.
Jandira Feghali chegou ao Mercadão de Madureira por volta das 11h30, precedida por estouro de morteiros.
Logo na entrada, participou de um dos rituais gastronômicos mais tradicionais da política brasileira: provou um pastel de carne, acompanhado de um copo de caldo de cana, oferecidos por um candidato a vereador.
Polícia criticada
Forças recompostas, Jandira ouviu pedidos para que construisse uma creche no lugar. Também recebeu queixas com relação à segurança e à polícia. Explicou que, apesar de o prefeito não ter poder de resolver a questão, não se isentaria de participar da solução. E lembrou de um episódio por que passou há algum tempo.
Voltava de uma homenagem no Rio Comprido, quando um carro da polícia começou a me perseguir. Parei, e os policiais já me abordaram com metralhadoras no vidro da janela. Quando saí, me reconheceram, pediram desculpas, e disseram que meu carro era parecido com o dos bandidos que eles procuravam contou.