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Nesta eleição municipal, o custo deverá bater recorde

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Raphael Bruno, Jornal do Brasil

RIO - A largada da corrida eleitoral deu início, também, a uma milionária e poderosa dimensão das campanhas: entre gastos com publicidade, produção de programas de rádio e televisão, pessoal, impressões, pesquisas e locações, os pleitos municipais de 2008 têm tudo para entrar para os anais da política brasileira como as eleições de âmbito local mais caras da história do país.

Já escutei assessores de marketing de candidatos por ai falando que a eleição majoritária no Rio de Janeiro ficaria em torno dos R$ 10 milhões revela o candidato do PSOL à Prefeitura carioca, Chico Alencar.

Em 2004, num período em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantinha controle bem menos rígido em relação à prestação de contas dos postulantes ao mandato público, o então candidato e atual prefeito Cesar Maia (DEM) declarou gastos de R$ 2,78 milhões. Na época, uma das eleições municipais mais caras do país.

Parece que inflacionou bastante em quatro anos ironiza Alencar.

O deputado federal pelo PSOL surpreendeu os adversários ao lançar sua candidatura propondo teto de R$ 400 mil para os gastos de campanha. O candidato diz que pelo menos os adversários que se dizem do campo das esquerdas deveriam levar em consideração a proposta a fim de se manter coerentes. Ninguém se sensibilizou.

No interior

Mas Alencar sabe que a realidade é bem diferente. Prefeitos eleitos quatro anos atrás em cidades bem menores que o Rio de Janeiro e seus 4,5 milhões de eleitores, como Niterói e Nova Iguaçu, no interior do Estado, gastaram mais do que o dobro do teto previsto para a campanha do candidato do PSOL. Em Niterói, com eleitorado de 354 mil habitantes, Godofredo Pinto (PT) desembolsou R$ 951 mil para ser eleito em 2004.

Em Nova Iguaçu 525 mil eleitores Lindberg Farias (PT) gastou mais de R$ 2 milhões para conquistar a prefeitura em 2004. O valor supera até mesmo o que figuras como José Fogaça (PMDB), João Paulo (PT) e João Henrique (PMDB) disseram ter investido para se eleger em metrópoles como Porto Alegre, Recife e Salvador, respectivamente.

São gastos abusivos inaceitáveis num país pobre como o nosso protesta Alencar. Mas o pior não é isso. É que essas campanhas milionárias demandam captação de recursos que retiram a independência política, porque o pessoal acaba assumindo compromissos com setores como empreiteiras, operadoras de planos de saúde e bancos.

Em 2006, o partido de Alencar sofreu para conseguir conduzir a campanha da então senadora Heloísa Helena à Presidência sem aceitar contribuições eleitorais de pessoas jurídicas. Hoje, o estatuto do partido veta doações apenas de empresas do sistema financeiro e multinacionais. Mas Alencar garante que também não aceitará doações de grupos que atuem na construção civil.

Foi utilizando o mesmo argumento de independência política que o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) desistiu da candidatura à prefeitura de Recife. O parlamentar, que somava de 6% a 8% das intenções de voto nas pesquisas realizadas até a desistência, diz que, pelos cálculos de assessores próximos, uma campanha minimamente competitiva exigiria o desembolso de R$ 1 milhão. Após fazer as contas e perceber que dificilmente as doações prometidas turbinariam o caixa de campanha a esse ponto, Jungmann abandonou a corrida eleitoral.

Não é vergonha assumir que não tem dinheiro justifica o deputado. Vergonha é fazer concessões políticas para grupos privados para obter esse dinheiro.

Jungmann revela que, em 2004, quando se candidatou a prefeito de Recife, chegou a ser procurado por uma empresa de transporte urbano local, interessada em contribuir para a campanha, mas que pretendia fazê-lo por fora da contabilidade oficial.

Respondi que, dessa forma, não precisava.

O parlamentar do PPS gastou cerca de R$ 400 mil na corrida eleitoral, há quatro anos.

Hoje, assessores de outros candidatos calculam em R$ 7 milhões a campanha em Recife. R$ 2,4 milhões só na produção de conteúdo para televisão e rádio.