Jornal do Brasil

Rio - Eleições 2018

De Negão a Bolsonaro: Do anonimato ao Congresso

Jornal do Brasil MARIA LUISA DE MELO, malu@jb.com.br

Fiel escudeiro do presidenciável Jair Bolsonaro contra as críticas que classificavam o ex-capitão como racista. Assim se portou o subtenente do Exército Hélio Fernando Barbosa Lopes, de 49 anos, o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. No domingo, ele recebeu mais de 345 mil votos. Morador de Nova Iguaçu, na Baixada, foi o único candidato que conseguiu do “padrinho” o direito de usar seu mesmo sobrenome. Além dele, só a ex-mulher de Jair, Cristina Bolsonaro conseguiu a “benesse”, mas não foi eleita.

Alcunhado como Hélio Bolsonaro nas redes sociais e nas urnas, o subtenente ficou conhecido depois que passou a ser filmado e fotografado em eventos ao lado de Jair e de seus filhos. Tudo devidamente registrado nas redes sociais e com exaltações de defesa ao presidenciável.

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Hélio viu sua popularidade saltar após participar de eventos com Bolsonaro (Foto: Reprodução/ Facebook)

A estratégia de aproximação entre eles ficou mais nítida no início do segundo semestre deste ano, com a chegada do julgamento que ameaçava transformar Bolsonaro em réu por racismo. Em abril, Jair foi denunciado pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, por causa de uma palestra no Clube Hebraica, em Laranjeiras.

Essa não foi a primeira investida de Hélio a uma casa legislativa. Em 2016, sob alcunha de Hélio Negão, tentou, sem sucesso, uma vaga como vereador na Câmara de Nova Iguaçu. Mas, com apenas 480 votos, ficou fora da disputa.

Desta vez, a aproximação ajudou ambos. Hélio ganhou popularidade, enquanto Jair conseguiu amenizar, entre parte do eleitorado, a associação de sua imagem à discriminação a pessoas negras após numerosas declarações controversas sobre questões raciais nos últimos anos.



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