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Rio - Eleições 2018

Arrancada de Witzel mostra guinada à direita no Rio

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Depois de eleger como prefeito da capital um pastor evangélico (Marcelo Crivella), agora o Estado do Rio inteiro confirma sua inclinação a um perfil mais conservador e à direita na política. E essa evidência surge com uma surpresa mais do que de última hora. O candidato ao governo do Rio Wilson Witzel (PSC), apoiado pelo presidenciável Jair Bolsonaro, se tornou o azarão do primeiro turno, ao deixar o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (DEM) e o senador Romário (Podemos) comendo poeira.

Witzel, que começou a campanha com 1% das intenções de voto, acabou catapultado para a liderança na votação de ontem. Com 100% das urnas apuradas, o candidato somou 3.154.771 votos (41,28% do total). Paes ficou em segundo lugar, com 1.494.831 votos (19,56%). Agora, ambos vão disputar a vaga no Palácio Guanabara no segundo turno, dia 28 de outubro.

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Wilson Witzel (Foto: Reprodução Twitter)

Em terceiro lugar ficou o candidato do PSOL, Tarcísio Motta, com 819,2 mil votos; Romário, em quarto lugar, somou 664,5 mil votos. Votos brancos e nulos foram 1.745.216; já abstenção (a verdadeira segunda colocada), chegou a 2.926.758.

Ontem, os vencedores do 1º turno votaram logo pela manhã cedo. O ex-juiz federal, que se lançou à eleição com o mote de combate à corrupção e à criminalidade, chegou à 280ª seção eleitoral, no Grajaú Country Club, Zona Norte do Rio, às 9h50, acompanhado da família. O caminho para o resultado no primeiro turno começou a se configurar na reta final, com as pesquisas de intenção de voto divulgadas no sábado. Witzel, que defendeu na campanha que qualquer pessoa portando um fuzil pode ser “abatida”, disse que “nós já estávamos percebendo isso nas ruas”, afirmou Witzel, que acompanhou a apuração de casa.

Eduardo Paes votou antes das 9h, no Gávea Golf Clube, em São Conrado, Zona Sul. Paes, que luta para se livrar da sombra do ex-governador Sérgio Cabral, preso por corrupção, votou acompanhado da mulher, dos dois filhos e do deputado federal Pedro Paulo (DEM). Aos jornalistas, na saída da sessão eleitoral, Paes afirmou que, se eleito, suas prioridades serão as finanças públicas do estado e a segurança.

Guinada à direita

Para o consultor político e analista de opinião pública Henrique Serra, o resultado das eleições no Rio “expressa, por um lado, a vontade de mudança da população. Uma mudança que caminhou para a direita”, avalia, lembrando que os únicos candidatos que nunca tinham disputado uma eleição eram Witzel e Marcia Tiburi (PT). “Só que Marcia era a candidata do PT, partido que as pessoas estão rejeitando. Já Witzel se beneficiou da onda Bolsonaro que favoreceu a eleição de candidatos em todo o país”.

Serra acredita que se Garotinho ainda estivesse na disputa, era bem provável que a vaga no segundo turno fosse dele. Com a candidatura impugnada e mesmo anunciando apoio ao senador Romário, ainda assim “não houve tempo de fazer essa transferência de votos”, afirma, reconhecendo que a má atuação do candidato do Podemos fez com que ele viesse gradativamente caindo nas pesquisas.

Segundo turno

Em sua primeira entrevista após o resultado do primeiro turno, Wilson Witzel disse não estar suspreso com o resultado e que as pesquisas precisam passar por uma revisão. “Foi uma resposta clara da população pela renovação. Tenho certeza que vamos consolidar essa vitória no fim do segundo turno”, disse, explicando que com relação a alianças de segundo turno, ele e o partido consideram qualquer apoio como muito bem-vindo, mas que o principal é consolidar o apoio de Jair Bolsonaro à campanha.

Já Eduardo Paes afirmou que seu foco no momento não é discutir alianças. “O que eu quero nesta nova etapa da campanha é ir para a rua, levar minhas propostas e debater com a população”. Sobre ter chegado em segundo lugar, apesar do que previam as pesquisas, Paes foi enfático: “Agora começa uma nova eleição, e começa empatada”.



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